Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

Após veto do Cade, Estácio vai às compras, diz presidente do conselho

Segundo João Cox, diretoria foi orientada a contratar assessores para prospectar alvos de aquisição

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

30 Junho 2017 | 05h00

Com o veto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ao processo de fusão com a Kroton, a Estácio vai às compras. O presidente do Conselho de Administração da companhia, João Cox, afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast que os conselheiros estão orientando a diretoria a contratar assessores para prospectar empresas a serem adquiridas.

Segundo ele, desde o ano passado, com a mudança do conselho, já havia um desejo do colegiado de alterar a estratégia da empresa e mirar em aquisições de grande porte. A antiga diretoria estava focada em compras menores, de ativos regionais. “Os conselheiros entendiam que a estratégia que deveríamos adotar era a de aquisição de empresas”, afirma Cox. Esse processo foi paralisado, relata, justamente porque os acionistas da Estácio aceitaram uma proposta da Kroton.

A leitura até o momento vem sendo a de que a Estácio poderia virar alvo de aquisição por parte de outras empresas, em especial da Ser Educacional, que já demonstrou interesse. Cox, no entanto, coloca a companhia como a predadora em vez de caça.

“A Estácio é a segunda maior empresa do setor e não há nenhuma companhia próxima em termos de tamanho”, disse. “A Estácio nunca esteve à venda e o que ocorreu lá atrás foi uma proposta de aquisição que nunca foi solicitada”, acrescenta. Cox afirma que os eventuais alvos de aquisição serão definidos pelos assessores com base em dados como sobreposição geográfica e sinergias potenciais.

O presidente do Conselho contesta ainda a visão de que a Estácio poderia ser fragilizada numa eventual negociação com outras empresas dada a queda do preço de suas ações na Bolsa recentemente. Os papéis da Estácio acumulam queda de pouco mais de 4% em um ano enquanto a Ser Educacional se valorizou 90% no mesmo período.

Para analistas, se a Estácio voltar a ser alvo da Ser, os termos de uma nova proposta podem ser menos favoráveis. Para Marcio Osako, analista da J.Safra, uma nova proposta tende a ser menor porque agora a Kroton está fora da disputa. Por outro lado, analistas da Brasil Plural consideraram que a Estácio obteve avanços operacionais. “No último ano de análise no Cade, a companhia foi capaz de aumentar seu valor como um ativo independente”, escreveu Vinicius S. Ribeiro.

Cox, no entanto, reforça que a Estácio está na posição de compradora e que tem “inúmeras possibilidades” de financiar suas aquisições. Ele diz que a companhia tem um caixa robusto e que poderia emitir dívida ou ainda captar por meio de uma oferta subsequente de ações.

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