How Hwee Young|EFE
How Hwee Young|EFE

Após yuan entrar para a cesta do FMI, China diz que não há razão para desvalorizar moeda

O anúncio do FMI gerou especulações de que a China deixaria sua moeda perder valor para se tornar mais competitiva no mercado internacional

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2015 | 10h00

PEQUIM - A China manterá sua moeda em patamar "razoável" e não vê necessidade de depreciá-la, afirmou uma autoridade do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês). O vice-presidente do PBoC, Yi Gang, falou horas após o Fundo Monetário Internacional (FMI) acrescentar o yuan à cesta de moedas utilizada pela instituição nos empréstimos emergenciais para complementar as reservas dos países-membros, os chamados Direitos Especiais de Saques (SDR, na sigla em inglês). A entrada da divisa se dará a partir de outubro de 2016.

O anúncio do FMI gerou especulações de que a China deixaria a moeda desvalorizar. Em entrevista à imprensa, Yi afirmou que o banco central não vê motivo para depreciação, apontando para a força econômica chinesa e as amplas reservas em moeda estrangeira do país.

"Se o temor é que o yuan se depreciaria fortemente após sua inclusão no SDR, não há necessidade para isso", disse Yi. Segundo ele, o objetivo de longo prazo de Pequim é deixar o yuan flutuar, parando de intervir no câmbio para controlar o valor da moeda. Por ora, o PBoC continuará com as intervenções apenas para conter as flutuações excessivas, afirmou Yi.

"Será um processo gradual", disse ele. "É importante para manter o yuan em um nível adequado e equilibrado." O vice-presidente do PBoC não quis especificar em que nível estaria esse patamar de equilíbrio. Segundo ele, isso deve ser determinado pelas forças do mercado.

A China depreciou o yuan em agosto. De acordo com autoridades chinesas, a medida era parte de um esforço para deixar a divisa flutuar segundo as forças do mercado.

Com a decisão do FMI, o yuan passará a fazer parte da cesta de moedas que inclui o dólar, o euro, a libra e o iene. A medida, ainda que em grande medida simbólica, é vista como um impulso potencial para que a China continue a caminhar para afrouxar os controles de seu sistema financeiro. Fonte: Dow Jones Newswires.

Fatia. O Standard Chartered Bank espera que ocorra um aumento gradual na diversificação dos investimentos em ativos em yuan por parte dos investidores internacionais e dos gerenciadores de reservas. O bancos centrais globais podem realocar 1% de seus investimentos das reservas para ativos em yuan anualmente, diz o Standard Chartered, que prevê um fluxo positivo nesse sentido de entre US$ 85 bilhões e US$ 125 bilhões dos bancos centrais globais em 2016, com pelo menos 5% das reservas globais denominadas em yuan por volta do fim de 2020.

Na avaliação do banco do Reino Unido, os bancos centrais devem privilegiar produtos como os bônus denominados em yuan emitidos pelo governo chinês, os bônus dos principais bancos e das empresas mais bem qualificadas e supranacionais. Porém, nesse período, deve haver inevitavelmente incerteza e volatilidade nos mercados financeiros, uma maior variação entre o dólar e o yuan ou nos fluxos financeiros, conforme os investidores internacionais e os gerentes de reservas ajustam portfólios, diz o Standard Chartered. 

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