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Aposentadorias e pensões ganham importância na renda; programas de transferência perdem espaço

Porcentual de famílias que recebem Bolsa Família caiu em sete anos, passando de 15,9% dos lares brasileiros em 2012 para 13,7% em 2018, segundo o IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 10h00

RIO  – As aposentadorias e pensões vêm ganhando importância na renda das famílias nos últimos anos. Por outro lado, encolheu a contribuição dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Em meio a um cenário de envelhecimento da população e mercado de trabalho ainda precário, as aposentadorias e pensões, que representavam 19,9% da renda domiciliar per capita em 2017, aumentaram sua fatia para 20,5% em 2018. 

“Teve valorização do salario mínimo. A maioria dos aposentados recebe de um a dois salários mínimos. Isso contribui. Tem o peso demográfico, tem um quantitativo de pessoas a mais se aposentando, e tem o próprio processo de valorização monetária do beneficio”, avaliou Adriana Araújo Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Por outro lado, os programas de transferência de renda vêm perdendo participação na renda das famílias ao longo dos anos. Segundo o IBGE, o porcentual de famílias que recebem Bolsa Família caiu em sete anos, passando de 15,9% dos lares brasileiros em 2012 para 13,7% em 2018.

“Em 2017, teve aquele processo de corte, de recadastramento das famílias, teve queda forte no total de domicílios beneficiados. Mas, em 2018, alguns deles voltaram a receber”, apontou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad.

Os brasileiros que ainda permaneciam beneficiários do Bolsa Família no ano passado tinha renda domiciliar per capita de R$ 341. Quase 30% (28,3%) das famílias contempladas não tinham abastecimento de água de rede geral, 62,4% não tinham esgotamento sanitário nem fossa séptica, 24,3% não tinham coleta de lixo, 69,8% não tinham máquina de lavar roupa e 86,7% não tinham microcomputador. 

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Metade dos brasileiros vive com R$ 413 mensais; população 1% mais rica recebe quase 40 vezes mais

No outro extremo, os 2,1 milhões mais ricos recebem 40 vezes mais; desigualdade de renda atingiu nível recorde na série histórica da Pnad Contínua

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 10h00

RIO - A desigualdade de renda no País alcançou patamar recorde em 2018, dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

A metade mais pobre da população, quase 104 milhões de brasileiros, vivia com apenas R$ 413 mensais, considerando todas as fontes de renda. No outro extremo, o 1% mais rico - somente 2,1 milhões de pessoas - tinha renda média de R$ 16.297 por pessoa. Ou seja, essa pequena fatia mais abastada da população ganhava quase 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide populacional. 

Em todo o País, 10,4 milhões de pessoas (5% da população) sobrevivem com R$ 51 mensais, em média. Se considerados os 30% mais pobres, o equivalente a 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita subia a apenas R$ 269.

Mesmo passada a crise econômica, a desigualdade se agravou. A renda domiciliar per capita dos 5% mais pobres caiu 3,8% na passagem de 2017 para 2018. Ao mesmo tempo, a renda da fatia mais rica (1% da população) cresceu 8,2%.

O Índice de Gini da renda domiciliar per capita –  medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade - subiu de 0,538 em 2017 para 0,545 em 2018, patamar auge na pesquisa. 

Os mais pobres ficaram mais pobres, os mais ricos ficaram mais ricos, confirmou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad. Para a pesquisadora, o fenômeno tem relação com a crise no mercado de trabalho, que afetou especialmente o extrato de trabalhadores com menor qualificação e menor remuneração.

“Continuam no mercado de trabalho aqueles que ganham mais”, justificou Maria Lucia Vieira.

Quando começou a melhora na geração de vagas, os desempregados que conseguiram retornar ao mercado de trabalho passaram a ganhar menos em funções semelhantes ou a atuar em postos informais, que também remuneram menos.

“Quando as pessoas perdem seus trabalhos, elas vão arrumar outras ocupações em que elas consigam ter alguma remuneração. Se o momento tem mais demanda por trabalho do que oferta, as pessoas acabam aceitando trabalhos com remunerações mais baixas”, explicou a gerente da Pnad.

Com mais pessoas trabalhando, a massa de renda de todas as fontes cresceu de R$ 264,9 bilhões em 2017 para R$ 277,7 bilhões em 2018. Como a concentração de renda aumentou, os 10% mais pobres detinham apenas 0,8% da massa de rendimentos, enquanto que os 10% mais ricos concentravam 43,1% desse bolo.

Se considerados apenas os trabalhadores com renda do trabalho, a fatia de 1% mais bem remunerada recebia R$ 27.744 mensais, o que corresponde a 33,8 vezes o rendimento dos 50% dos trabalhadores com os menores rendimentos, que recebiam, em média, R$ 820, menos que o salário mínimo em vigor no ano. A diferença foi a maior da série histórica da pesquisa.

O índice de Gini da renda do trabalho também registrou piora na passagem de 2017 para 2018, subindo de 0,501 para 0,509 no período, o patamar mais elevado da série. 

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Renda média per capita no Sudeste alcança R$ 1.639, o dobro do recebido pelos nordestinos

Considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 10h00

RIO – O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1.285 em 2017 para R$ 1.337 em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do País: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no Norte, R$ 886. 

Na Região Sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O Índice de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes –  medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade – teve o pior desempenho em 2018 na região Norte, 0,551, seguido pelo Nordeste, 0,545, e Sudeste, 0,533. No Centro-Oeste, o resultado foi de 0,513. O menor valor foi o do Sul, 0,473. Na média nacional, o Índice de Gini alcançou o recorde de 0,545 dentro da série histórica da pesquisa. 

Ainda considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões. As fatias das demais regiões foram de R$ 47,7 bilhões para o Sul, R$ 46,1 bilhões para o Nordeste, R$ 24,4 bilhões para o Centro-Oeste, e R$ 15,8 bilhões para o Norte.

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