Aposentados alemães voltam a trabalhar

Motivo pode ser o valor das aposentadorias, que já não seria suficiente para viver, ou mesmo o desejo de continuar a exercer alguma atividade

DER , SPIEGEL, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h07

Artigo

O número de aposentados alemães que têm um emprego cresceu consideravelmente nos últimos dez anos, segundo dados oficiais. Os especialistas têm explicações diferentes quanto aos motivos desse fenômeno. Para alguns, ele se deve ao fato de que as aposentadorias já não são mais suficientes para viver; alguns afirmam que há outras razões, como o desejo de continuar exercendo algum tipo de atividade.

Desde 2000, o número de aposentados que trabalham nos chamados miniempregos - ocupações em tempo parcial com remuneração de até 400 (US$ 500) por mês - subiu nada menos que 60%, para 761 mil. Isso inclui 120 mil pessoas que, no ano passado, tinham 75 anos ou mesmo mais.

Além disso, o número de aposentados em empregos que pagam mais de 400 - e que devem contribuir para a seguridade - quase dobrou desde 1999, para cerca de 154 mil, no ano passado. Mais de 50% destes, ou cerca de 80 mil, tinham ocupações em tempo integral. Os dados não incluem aposentados autônomos.

Os números foram divulgados ontem pelo jornal Süddeutsche Zeitung e se baseiam em dados oficiais apresentados em resposta a uma inquirição dos partidos de esquerda da oposição.

São vários os motivos pelos quais os idosos continuam trabalhando, e as organizações sociais acreditam que o fato pode ser decorrência da queda do valor das aposentadorias. Em 2000, a aposentadoria média percebida por um trabalhador que contribuíra para a Previdência durante pelo menos 35 anos era em média 1.021 mensais. Em 2011, parte em consequência das rigorosas reformas aprovadas por Gerhard Schroeder, o predecessor de Angela Merkel, o valor caiu para 953.

Mas Holger Schaefer, especialista em mercado de trabalho do Instituto da Economia Alemã, vinculado às federações patronais, disse que há outros motivos pelos quais essas pessoas continuam trabalhando. Segundo ele, a pesquisa mostrou que grande proporção de aposentados é de pessoas com qualificações relativamente elevadas. "Isso sugere que, em muitos casos, a necessidade financeira pode não ser a principal motivação", afirmou ao Süddeutsche.

Ultike Mascher, presidente do maior grupo alemão VdK, que defende os interesses dos aposentados, discorda. "No caso das 120 mil pessoas em miniempregos, acima dos 75 anos, não são os professores universitários que querem continuar trabalhando. São os aposentados que entregam jornais, arrumam as prateleiras nos supermercados e exercem ocupações pouco atraentes para melhorar suas magras aposentadorias."

O Ministério do Trabalho alemão destacou que a queda do valor das aposentadorias não significa necessariamente uma queda do padrão de vida. Segundo o ministério, nos últimos anos, outras fontes de renda, como o retorno de eventuais investimentos ou o rendimento de um fundo de pensão, passaram a ter mais importância para os aposentados.

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