Aposta em ações pode garantir ao investidor um bom ano novo

Cenário da economia global ainda é incerto, mas analistas recomendam a Bolsa para poupança de longo prazo

Daniela Rocha e Marcos Coronato, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

Quando até amigos e parentes desinformados começam a falar com empolgação sobre ações, o investidor atento deve se questionar se o momento é mesmo adequado para confiar na Bolsa. Muitos fatores tornam o cenário duvidoso: a crise das hipotecas nos Estados Unidos (que pode produzir más notícias e turbulência por mais alguns meses), a inflação e a taxa básica de juros que pararam de cair no Brasil e os vários recordes batidos recentemente pelo mercado acionário. Apesar da oscilação dos últimos dias, o Ibovespa se mantém próximo dos 60 mil pontos (o índice abriu 2007 em 44.473 pontos). Mesmo assim, os especialistas recomendam continuar investindo em ações uma parcela dos recursos que puderem ficar aplicados no longo prazo. Em parte, isso se deve a um componente novo no cenário: o grau de investimento, ou investment grade, como prefere o mercado. Trata-se de uma classificação atribuída por agências internacionais avaliadoras de risco. É um selo que indica que determinado país ou empresa oferece segurança satisfatória para os investidores globais. Ele colocaria o Brasil no radar de centenas de fundos nos EUA e Europa, com patrimônio de cerca de US$ 80 bilhões, estima o chefe de pesquisa da Ágora Corretora, Marco Melo. Ele mantém bom prognóstico para o mercado acionário até 2009, embora com desempenho mais modesto que o obtido até agora. "O retorno não vai se repetir."O professor de Finanças Rafael Paschoarelli, da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo, concorda. "De modo geral, vejo com bons olhos o mercado de ações, ante a perspectiva de o Brasil conseguir o grau de investimento", diz.O grau de investimento será concedido ao Brasil em 2008 ou início de 2009, segundo instituições como a consultoria MB Associados e a gestora de recursos NY Mellon. Nos últimos meses, ambas se destacam no Ranking AE Projeções, um acompanhamento permanente feito pela Agência Estado da exatidão dos prognósticos do mundo das finanças. "Temos boas perspectivas para investimentos e setor externo, com a iminência da chegada do investment grade", afirma o economista Sérgio Vale, da MB Associados.Quem deseja fazer poupança no longo prazo deve pensar em se tornar sócio minoritário de companhias abertas. Entre 11 corretoras e consultores financeiros consultados, destacaram-se como empresas recomendadas a Gerdau e a Companhia Vale do Rio Doce; e como setores, consumo e construção civil. "Entre os destaques ficarão construção civil e consumo doméstico, mas o crescimento em 2008 será menor", afirma o gerente do departamento de pesquisa da Planner Corretora, Ricardo Martins. A maioria dos especialistas acredita que a Bolsa continuará entregando bons resultados, mas sem repetir o desempenho de 2007. Eles também esperam que o Brasil se torne menos vulnerável às oscilações externas. "O País está crescendo e o risco está caindo. Pode haver turbulência, mas deve ser encarada como oportunidade", diz o economista Gustav Gorski, da Geração Futuro Corretora.Mesmo diante das expectativas otimistas, mantêm-se as premissas para o investimento em renda variável. A possibilidade de obtenção de maior retorno exige a aceitação de maior risco. Não é recomendável encarar a Bolsa como alternativa de curto prazo, sobretudo num cenário como o atual, com previsão de oscilações. "Quem investiu nos últimos três anos em ações ainda não viu oscilações importantes", alerta o economista e consultor Fabiano Calil. COLABORARAM ROSÂNGELA SANTIAGO, FLÁVIO LEONEL E FRANCISCO CARLOS DE ASSISFRASESGustav GorskiCorretora Geração Futuro"O País está crescendo e o risco está caindo. Pode haver turbulência, mas ela deve ser encarada como oportunidade"Rafael PaschoarelliProfessor da FEA-USP"De modo geral, vejo com bons olhos o mercado de ações, ante a perspectiva de o Brasil conseguir o grau de investimento''''

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