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Aposta nos sons e nos bordados

Num momento em que se falava que as rádios seriam engolidas pela TV e a informática já ditava suas normas, dois músicos apostaram no futuro do som e fundaram, há 16 anos, a Muzak Produções em Áudio, no Recife. Filhos de pais músicos, Marcelo Soares, de 41 anos, formado em Turismo, e Cáca Barreto, de 50 anos, que cursou Desenho Industrial, elegeram a casa de duas tias idosas para iniciar o seu negócio."Começamos num quarto e banheiro nos fundos da casa para produzir jingles. Ou seja, queríamos prioritariamente atender à publicidade", recorda Soares. Mas foi então que eles viram o amplo mercado de trabalho que o áudio iria lhes proporcionar. Logo ocuparam totalmente os fundos da casa, avançando para mais um quarto e toda a garagem. Os negócios fluíram tão bem, que logo passaram a produzir trilhas sonoras para curtas e longas-metragens, programas de rádios e peças como a encenação da Paixão de Cristo da Fazenda Nova, no Agreste pernambucano. Resgataram hinos de Pernambuco e do Maranhão e hoje já se dão ao luxo de alugar estúdios para grupos musicais conhecidos da região. E contam com pelo menos dez colaboradores."Em 1998, ou seja, seis anos depois de abrirmos o estúdio, compramos uma construção no Casa Forte, bairro arborizado do Recife. Mas mantivemos o imóvel fechado por uns quatro anos", diz Soares. Para não ficarem endividados poucas vezes fizeram empréstimos bancários, optando por recorrer a parentes, que lhes cobravam juros camaradas. Quando as finanças permitiram, graças a trabalhos em campanhas políticas e publicitárias e junto a cineastas independentes e grupos musicais, reformaram a casa da maneira que sonharam, transformando a Muzak num dos principais estúdios de Pernambuco.Também começou em casa o Divino Ofhicio, uma empresa de artesanato instalada há três anos em Lagoa Dourada, a 36 km de São João Del Rei, Minas Gerais, pelo casal Marilene Alair da Silva e Josias Cardoso Santos, ambos de 40 anos. Ela se dedicava ao bordado em sua casa em Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte. Aproveitava feiras de artesanato para mostrar o seu produto e revoltava-se com o preço baixo que os artesãos recebiam para produtos que eram revendidos a peso de ouro.Na busca de uma direção para o seu trabalho, Marilene conheceu Santos num curso do Sebrae. Ele produzia e restaurava peças em madeira em casa e vinha de uma experiência frustrada de montar um negócio de artesanato com seus seis irmãos. Os dois decidiram unir forças, e assim nasceu o Divino Ofhicio, instalado desde 2005 num galpão no centro de Lagoa Dourada.Com oito colaboradores fixos e cinco terceirizados, a empresa produz 800 peças de madeira por mês e 300 peças de bordados para cama e mesa. Conta com uma carteira de 170 clientes em 16 Estados, entre eles a Tok & Stok e a loja paulista Depósito Santa Fé. "Nossos maiores problemas até aqui foram o transporte e acondicionamento da produção. Com criatividade e muito esforço acho que resolvemos os dois", comemora a bordadeira.

O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

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