'App' de táxi recebe aporte de R$ 10 milhões

Grupo alemão Rocket Internet quer transformar a brasileira EasyTaxi em um negócio mundial

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2012 | 03h08

Mesmo depois de vencer concursos de startups promovidos por IBM e Microsoft, a EasyTaxi, criada com o objetivo de reduzir o tempo de espera por táxis nas grandes cidades, teve início modesto. O empresário Tallis Gomes precisou vender o carro - um Gol - para sustentar os primeiros meses da empresa. Ele teve de mostrar serviço por conta própria antes de atrair um investidor interessado em aplicar o valor necessário para a empresa ganhar escala.

Depois de quase um ano inteiro sobrevivendo de suas economias e do dinheiro arrecadado dos taxistas credenciados no Rio de Janeiro - mercado que serviu de teste para a EasyTaxi -, Gomes conseguiu ajuda de Alex Tabor, um dos criadores do site de compras coletivas Peixe Urbano, para ampliar o negócio. No entanto, o "empurrão" que dará uma escala que nem o empreendedor imaginou para a EasyTaxi veio agora em outubro: um aporte de R$ 10 milhões do grupo alemão Rocket Internet, conhecido pela agressividade em expandir projetos da noite para o dia.

De repente, Tallis Gomes se viu promovido de empreendedor sem carro próprio para chefe de um projeto global. Junto com o dinheiro da Rocket Internet, veio a incumbência de transformar a EasyTaxi em um modelo "escalável" em todo o mundo, com a responsabilidade de concorrer com similares estrangeiros, como o alemão MyTaxi e o britânico GetTaxi. O primeiro mercado internacional a ser testado pelo projeto encabeçado pelo brasileiro será o México.

Uma das primeiras mudanças estabelecidas pelo novo investidor foi a implantação imediata do modelo em São Paulo, cidade onde a dificuldade do cliente para achar um táxi é bem maior do que no Rio de Janeiro. "É um desafio, porque o Rio tem 4 mil táxis a mais do que em São Paulo", admite Gomes. Na experiência em solo carioca, o empresário conseguiu cadastrar 750 taxistas e registrar 5 mil clientes pessoa física. Em São Paulo, a ideia é expandir rapidamente (hoje, só há 150 motoristas cadastrados na capital paulista).

Como a Rocket Internet quer ver resultados até o fim do mês, Tallis e sua equipe estão trabalhando na criação de um "boca a boca" sobre o serviço. Para aumentar o número de associados, a Easy Taxi terá propaganda veiculada na BandNews FM e na Sul América Trânsito - as estações mais ouvidas pelo público-alvo - a partir de segunda-feira.

A EasyTaxi cobra R$ 2 cada vez que o carro é acionado, independentemente do valor da corrida. O sistema é simples para o taxista. Basta que o motorista tenha um smartphone equipado com o sistema operacional Android, do Google. No momento em que o cliente abrir o aplicativo e apertar o botão "Pedir Táxi", o sistema da empresa localizará imediatamente o veículo mais próximo pelo GPS.

O objetivo, segundo o idealizador do negócio, é que a espera pelo táxi não seja superior a dez minutos. Gomes diz que, como não há número de telefone para o usuário falar com a empresa, toda a vez que o tempo não puder ser cumprido, um atendente fará uma ligação e avisará sobre o problema. A EasyTaxi, porém, tem perfil no Facebook. Gomes diz que os clientes poderão deixar recados - incluindo críticas - no mural da companhia.

Além de garantir um táxi em até dez minutos, a empresa de Gomes também quer facilitar o pagamento das corridas. O empresário está desenvolvendo uma maneira para o cliente não precisar usar dinheiro ou cartão. No futuro próximo, diz ele, o cliente poderá inserir seus dados de pagamento no próprio "app". Ao fim da corrida, a cobrança será feita automaticamente.

Escala. Uma das vantagens da solução tecnológica da Easy Taxi é que o "robô" criado para coordenar as corridas pode comandar a demanda de várias praças de uma só vez. Assim, a partir de São Paulo - novo quartel-general da empresa -, será possível acompanhar as corridas solicitadas no Rio de Janeiro, na Cidade do México e em várias capitais brasileiras onde o serviço estará disponível até a Copa de 2014. A EasyTaxi atualmente se resume a uma equipe de 13 pessoas fixas. O empreendedor diz que o número de funcionários só crescerá muito além disso se o porte da empresa exigir a formação de um call center próprio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.