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Apple diversifica, mas evita se popularizar

Para poucos. Pela primeira vez desde 2007, empresa lança dois iPhones em vez de um; o modelo 5C, previsto como acessível, tem preço elevado para mercados emergentes como o Brasil e deve manter a marca como opção apenas para faixa restrita de consumidores

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2013 | 02h10

Em todo lançamento de iPhone, os pontos que geralmente chamam mais atenção sempre são novidades técnicas ou recursos inéditos, como uma câmera mais potente, um assistente de voz ou uma tela maior. Em 2013, a maior novidade não estava no produto em si, mas no fato de que a empresa apresentou dois telefones em vez de um, os iPhones 5S e o 5C.

Não foi uma surpresa. Assim como quase todos os principais recursos dos novos iPhones, o lançamento duplo já tinha sido previsto por blogs e sites especializados. Esperava-se, porém, que um dos dois aparelhos fosse um iPhone "popular", uma tentativa da Apple de garfar uma fatia maior em mercados emergentes, onde a empresa vem sendo superada pelos aparelhos com sistema Android.

Mas o 5C, apesar de mais acessível, não é esse telefone. Os preços para a versão desbloqueada nos Estados Unidos ficam entre US$ 549 e US$ 649. Na China, o maior mercado de smartphones do mundo, o 5C deve custar mais de US$ 700, o que o coloca na prateleira dos mais caros no mercado local. No Brasil, as estimativas são de que o 5C custe entre R$ 1.500 e R$ 1.800.

"Lançar dois aparelhos revela a necessidade de conquistar uma fatia de mercado maior", avalia Leonardo Munin, analista do IDC. "O problema é que com o 5C a Apple continua operando numa faixa muito restrita. No Brasil, celulares acima de R$ 2 mil são 5% do mercado; acima de R$ 1 mil, apenas 15%."

A decepção chegou a fazer com que as ações da Apple caíssem semana passada na Nasdaq, bolsa de valores norte-americana que reúne empresas de tecnologia. De acordo com Munin, esperava-se um preço em torno de US$ 400. "Os analistas achavam que a Apple poderia virar os olhos para os emergentes, mas não foi o que aconteceu. Os modelos são caros e ainda vão chegar com o atraso de costume."

Para Rafael Fischmann, editor-chefe do MacMagazine, site especializado em produtos da Apple, a decepção não faz sentido. "A Apple nunca disse que iria lançar um modelo de baixo custo. Ela pode fazer algo mais acessível, mas tem que manter seu padrão de qualidade e isso tem um custo."

O diretor de Telecom da consultoria Nielsen, Thiago Moreira, concorda. "O posicionamento da Apple é diferente, é focado na inovação", diz. "Eles nunca vão descer seu preço ao nível de um telefone de entrada." Segundo Munin, do IDC, esse posicionamento agrada ao usuário dos produtos da empresa: "Quem tem um Apple não quer ver a maçã num celular de R$ 400".

Mercado. A saúde financeira da empresa pode ser uma prova de que a Apple segue o caminho certo. Neste ano, a companhia entrou para o grupo das dez maiores empresas dos EUA, conforme o ranking Fortune 500. Ela subiu do 17º lugar, posição de 2012, para o sexto lugar.

Sua fatia no mercado global caiu de 18,8% para 14,2% entre o segundo trimestre de 2012 e o de 2013, segundo levantamento da Gartner, mas olhar só para esse dado não mostra a história por inteiro. "O mercado cresceu como um todo. Então a fatia da Apple diminuiu, mas ela está vendendo mais celulares", observa Fischmann da MacMagazine. Entre os dois períodos analisados pela Gartner, a empresa passou de cerca de 29 milhões de unidades vendidas mundialmente para 32 milhões.

Revendo a história do smartphone, fica claro que o papel da Apple sempre foi muito mais de inovação do que de popularização. A empresa reinventou completamente o mercado e o conceito de celular quando lançou o primeiro iPhone, em 2007.

Na época, nem todo mundo entendeu. Em dezembro de 2006, o editor do prestigioso site de tecnologia CNet, Michael Kanellos, escreveu: "A Apple está trazendo um novo telefone. Será um grande fracasso".

Foi exatamente o contrário. A participação do iPhone no faturamento da Apple subiu de 0,5% para mais de 50% em 2012. Os computadores, que respondiam por uma fatia de 43% em 2007, ficaram com 14,83% no ano passado.

No quarto trimestre de 2007, o iPhone vendeu 2,315 milhões de unidades. No mesmo período de 2012, as vendas totalizaram 47,789 milhões.

Apesar disso, não foi a Apple quem popularizou o smartphone. "O iPhone teve alcance limitado. O que gerou o grande estouro mesmo dos smartphones foi o Android", observa Moreira, da Nielsen. "Com ele, surgiram as diferentes faixas de preço, e isso foi fundamental para a popularização."

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