Apple quer proibir venda de produtos da Samsung

Fabricante do iPhone entrou na Justiça americana com pedido para que oito produtos da concorrente sejam tirados do mercado

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h04

A Apple entrou formalmente ontem com um pedido para impedir a venda de oito aparelhos da Samsung, dias depois de a empresa sul-coreana ter sido condenada a pagar uma indenização de US$ 1 bilhão por infrações de patentes.

No processo aberto no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, a Apple diz buscar uma ordem preliminar para encerrar a venda de produtos da Samsung, dentre eles modelos dos smartphones Galaxy e Droid. A Apple diz no processo que se reserva o direito de buscar a proibição permanente da venda dos aparelhos da Samsung, mas ofereceu uma lista "adaptada" de oito deles para "tratar de uma parte dos danos imediatos e irreparáveis que a Apple está sofrendo".

A empresa americana terá de convencer a juíza Lucy Koh de que vai sofrer danos irreparáveis se os produtos indicados permanecerem no mercado. Embora a lista não contenha os últimos produtos da Samsung, muitos ainda estão disponíveis em operadoras de telefonia móvel e em lojas online, como a Amazon.

A vitória da Apple deu mais peso às afirmações da empresa de que sua rival sul-coreana copiou produtos como o iPhone. A decisão também deve afetar uma série de participantes do mercado de dispositivos móveis, dentre eles o Google, já que os modelos Galaxy e Droid da Samsung usam software fornecido pelo Google. Representantes da Samsung e do Google não foram encontrados para falar sobre o assunto.

As ações da Apple subiram 1,88% ontem em Nova York, fechando cotadas a US$ 675,68.

Histórico. Em agosto de 2010, poucos meses depois que a Samsung Electronics lançou seu smartphone Galaxy, uma equipe de advogados da Apple foi à Coreia do Sul.

Steve Jobs, o cofundador da companhia morto em 2011, já havia dito a executivos da Samsung, em uma reunião semanas antes, que considerava o Galaxy S, baseado no sistema operacional Google Android, uma cópia ilegal do iPhone. Mas dado o forte relacionamento de negócios entre as duas empresas - a Samsung é um dos principais fornecedores da Apple - uma solução negociada parecia provável.

Os advogados da Apple foram muito diretos. O segundo slide de sua apresentação afirmava que o Android havia sido criado para levar empresas a imitar o design e a estratégia de produto do iPhone. Mas a reunião não correu bem, de acordo com uma pessoa que conhece bem o caso. Os advogados da Samsung se irritaram com a acusação de cópia, e mencionaram diversas patentes da empresa que alegaram estar sendo usadas pela Apple sem autorização.

A reunião revelou um desacordo fundamental entre as companhias e preparou o terreno para uma amarga disputa de patentes em múltiplos países, que resultou sexta-feira no veredicto de que a Samsung violou patentes da Apple.

A Samsung anunciou que recorrerá, e a batalha mundial de patentes entre as companhias está longe de acabar. A maioria dos processos de patentes é decidida por acordo, mas Samsung e Apple divergiram em questões legais complexas. / DOW JONES NEWSWIRES e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.