Apple se desculpa por falha em mapas

Depois de críticas, Tim Cook, presidente da empresa, recomenda que usuários utilizem aplicativos de localização de concorrentes

ASSOCIATED PRESS / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h10

O presidente da Apple, Tim Cook, disse ontem que a empresa "lamenta imensamente" a frustração provocada pelo seu aplicativo de mapas e que está fazendo todo o possível para melhorá-lo. E recomendou que, neste ínterim, as pessoas utilizem mapas de concorrentes para contornar o problema.

Tim Cook disse em carta postada online que a Apple "ficou aquém" do seu compromisso de criar os melhores produtos para seus clientes. "Nosso objetivo é que tudo o que produzimos na Apple sejam os melhores produtos do mundo. Sabemos o que vocês esperam de nós e continuaremos trabalhando sem parar até o aplicativo de mapas atingir o mesmo padrão incrivelmente alto", afirmou.

Na semana passada, a empresa lançou uma atualização do sistema operacional do iPhone e do iPad, substituindo o Google Maps pelo seu próprio aplicativo de mapas. Mas os usuários se queixaram que o novo software oferecia menos detalhes, não mostrava as direções de trânsito e colocava em lugar errado pontos referenciais, entre outros problemas. Um grande número de usuários usou as redes sociais para se queixar e ridicularizar as falhas do aplicativo.

A arena do Madison Square Garden, em Nova York, por exemplo, era exibida como um parque verde por causa da palavra "Garden" (jardim). Um erro inusitado no caso da Apple, a empresa mais valorizada do mundo. A empresa se orgulha de lançar produtos que são os melhores da sua categoria, mas tem tido contratempos - mesmo na época do fundador Steve Jobs, cujo perfeccionismo era legendário. Uma desculpa da empresa provavelmente teria sido dada mesmo sob a direção de Jobs, dizem os analistas.

"Acho que eles procuraram acalmar os ânimos e, mais importante, esclarecer porque precisam criar seus próprios mapas", disse Tim Bajarin, analista da empresa Creative Strategies, que acompanha a Apple há mais de três décadas. Ele destacou caso que ficou famoso como "antenagate" de 2010. Um problema com a antena do iPhone causava problemas de recepção quando as pessoas cobriam um determinado lugar com a mão. Na ocasião, Jobs se desculpou, mas negou que era um problema de antena que precisava ser resolvido. A Apple rapidamente se recuperou do incidente.

Aplicativo. Em sua carta, Tim Cook disse que a Apple fará uma nova versão do software para dar aos usuários o que estão pedindo. O novo aplicativo inclui indicações de rotas detalhadas, com integração de voz e um programa Flyover em 3D.

O aplicativo de mapas do Google para iPhone não fornece as direções detalhadas e nem navegação orientada por voz, embora sua versão para o Android tenha essas características.

De acordo com Bajarin, o Google "não licenciou sua tecnologia para a Apple, porque os aparelhos que rodam o software Android têm uma clara vantagem sobre os da Apple". Mapas e navegação estão entre os recursos mais usados dos smartphones.

Tim Cook disse que o aplicativo de mapas da Apple ficará mais aprimorado à medida que as pessoas utilizarem o aplicativo e oferecerem algum retorno - o que vale para todos os mapas digitais. O mapa do Google não era perfeito quando foi lançado, mas melhorou com os anos, à medida que os usuários apontaram as falhas e ajudaram a empresa a reunir uma vasta coleção de dados para aperfeiçoá-lo.

"Em última instância, o que a Apple descobriu logo cedo foi que o Google teve acesso a 100 milhões de usuários do iOS que ajudaram a criar o banco de dados do Google Maps", disse Bajarin. "Num determinado momento, a Apple teria de pisar no acelerador. Chegou o momento de a empresa ter seus clientes usando o seu programa de mapas e não o do Google."

Mas Cook está recomendando que os usuários examinem outras opções - incluindo o serviço de mapas do Google. "Enquanto aprimoramos nossos mapas, vocês podem tentar alternativas, como Bing, MapQuest e Waze, ou usando mapas da Nokia ou do Google, indo aos websites e criando o ícone na sua tela para seu aplicativo", ele escreveu.

A Apple poderia ter evitado esse fiasco dos mapas? Bajarin acha que sim. Afinal a companhia lançou o Siri, seu assistente virtual observando que ele era um programa que deveria melhorar com o tempo. Os clientes entenderam. "Se a Apple e Tim e sua equipe tivessem lançado seu aplicativo de mapas como um trabalho ainda não inteiramente concluído, a reação negativa não teria ocorrido", disse.

A Apple lançou seu iPhone 5 na semana passada e, no início desta semana, informou ter vendido mais de cinco milhões de aparelhos em três dias, menos do que os analistas esperavam. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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