Appy espera que solidez e concorrência sustentem investimento

A solidez macroeconômica e a concorrência do setor privado devem sustentar o nível de investimento observado hoje no País e, por conseqüência, o desempenho positivo do PIB nos próximos trimestres. A avaliação foi feita hoje pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, durante o seminário "A Convergência das Normas Contábeis no Brasil e no Mundo", realizado na cidade de São Paulo. "Os empresários olham a economia hoje e vêem que ela tem condições de crescer de forma sustentada ao longo dos próximos anos. E vêem também um risco de seus concorrentes ocuparem espaços, porque a crise não acaba com a concorrência", disse, ressaltando que essa avaliação relativa à concorrência só é possível porque é fundada "na situação geral da economia brasileira, que hoje está com a capacidade de crescimento claramente colocada". Appy admitiu, entretanto, que a crise, obviamente, tem um efeito sobre os investimentos potenciais, mas que ela não afeta o crescimento já colocado da economia. "A solidez macroeconômica se sobrepõe sobre o aspecto negativo decorrente das incertezas geradas pela crise política." Para o secretário, o desempenho do PIB deve se manter em patamar satisfatório, a exemplo do que já foi observado no indicador do segundo trimestre. "A perspectiva, tanto para o terceiro trimestre, quanto para o quarto, é de continuidade da trajetória de crescimento. A tendência, claramente, é de continuidade, com a manutenção da solidez macroeconômica, que é o dado mais importante de todos." Super Receita Para Appy, a morosidade do Congresso Nacional em votar medidas da área econômica, como a criação da Super Receita e o projeto de lei que trata dos sistemas de defesa de concorrência, enviado na semana passada para o Congresso, também não afeta a expectativa de crescimento do País, mas tem um impacto sobre a ampliação do desempenho da economia. "O que se tem são mudanças institucionais que estão sendo propostas nos últimos anos, cujo efeito é ampliar o potencial de crescimento da economia. Isso não significa que, se não ocorrerem essas mudanças, a economia não vai crescer, pois o que cria condições para o crescimento econômico é a solidez macroeconômica. E essa está absolutamente preservada, mesmo nestes momentos de turbulência política", salientou o secretário.

Agencia Estado,

05 Setembro 2005 | 14h47

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.