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Aprender a governar

Em entrevista concedida segunda-feira à TV France 24, a presidente Dilma reconheceu que as esquerdas não sabem governar.

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 21h30

Em entrevista concedida segunda-feira à TV France 24, a presidente Dilma reconheceu que as esquerdas não sabem governar. E isso deve ser tomado como recado ao PT que realiza, em Salvador, o quinto congresso dos seus 35 anos de existência, sem saber se é governo ou se é oposição.

"Governos de esquerda têm de ter coragem de realizar cortes de gastos quando é necessário mudar" - disse. E em apoio a seu ponto de vista, a presidente Dilma citou o presidente François Mitterrand que iniciou seu governo na França, em 1981, prometendo uma administração socialista e, alguns meses depois, foi obrigado a dar radical guinada conservadora porque teve de garantir o bom funcionamento da economia: "Um governo de esquerda tem de mostrar ser capaz não só de fazer política social, mas também de fazer política macroeconômica de estabilização" - justificara Mitterrand.

A maior parte dos políticos do PT ainda não entendeu o que é governar nem o que é uma política de ajuste. Por isso se põe a guerrear com a equipe econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Uma sólida política de ajuste que sempre produz efeitos colaterais dolorosos, não faz o jogo das elites, como pensam, mas aciona mecanismos cujo objetivo é botar a economia de volta aos trilhos para garantir a retomada do crescimento e do emprego. Sem elas não é possível adotar políticas sociais sustentáveis.

A falta de traquejo das esquerdas brasileiras na condução de um governo não começou do ponto em que passou a ser necessário o saneamento das contas públicas, como sugeriu a presidente Dilma. Começou pelas desastradas políticas anteriores que produziram o enorme desajuste que agora se pretende corrigir.

O pressuposto que levou ao descarrilamento foi o de que, uma vez no comando, bastaria que um partido identificado com posições de esquerda, como pretende ser o PT, impusesse uma vasta pauta que beneficiasse o consumo de massas para que toda a economia passasse a funcionar em direção ao cumprimento dos direitos sociais.

O consumo foi acionado com instrumentos fiscais e voluntaristas e, no entanto, o resultado foi o fracasso que se viu: sucessão de PIBs mirrados e a inflação que agora dispara em direção aos 9% ao ano. 

E se, mesmo favorecido pelos bons tempos de bonança do exterior, houve erros tão graves na condução da política econômica é porque o PT e as administrações de esquerda que montou não foram capazes de governar com competência suficiente para manter a economia de pé.

Equilíbrio nas contas públicas não é exigência dos arraiais da ortodoxia, mas condição indispensável para definir e executar políticas, quaisquer que sejam elas. Controle da inflação não é o jogo dos banqueiros e dos neoliberais, mas condição indispensável para garantir o poder aquisitivo do assalariado. E regras claras e estáveis de investimento não são políticas que beneficiam os donos do capital, mas condição indispensável para crescimento e criação de empregos.

Infelizmente, não há garantia de que o recado da presidente Dilma seja entendido ou, mesmo, ouvido pela militância reunida em Salvador.

CONFIRA:

Aí está a projeção já revista do IBGE para as safras desta temporada.

O aperto continua

A Ata do Copom divulgada nesta quinta-feira reforça o entendimento de que o Banco Central prosseguirá o atual tratamento de combate à inflação. Lá está o recado de que a política monetária (política de juros) continuará com "determinação e perseverança". Foram rechaçadas as pressões para que o Banco Central comece a desapertar sua política. Os juros continuarão subindo até que apareçam indicações de que a meta de inflação será alcançada ao final de 2016.

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