Aprendizado infantil não avança com Bolsa-Família

O relatório do PNUD analisa com extrema cautela os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, do governo brasileiro, citado no documento. "Enquanto por um lado se registram aumentos modestos nos níveis de escolaridade e saúde alcançados, por outro, se observa que os programas não conseguiram melhorar o nível de aprendizado das crianças", diz o estudo da ONU.

, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

O PNUD enumera uma série de fatores para que esse tipo de programa social consiga obter sucesso e romper a continuidade da pobreza entre as gerações, entre eles qualidade no serviço de saúde, educação e empregos. "A seleção dos beneficiários deve responder a critérios claros e transparentes, o que implica contar com instrumentos administrativos sólidos e confiáveis e prevenir a manipulação dos programas com fins políticos e partidários", diz o relatório.

O estudo ressalta a dificuldade em combater a queda do nível educacional entre a infância e a fase adulta. Na América Latina, 96% das crianças entre 6 e 12 anos estão matriculadas, mas a quantidade cai para 36% no grupo de 18 a 23 anos.

No Brasil, segundo dados de 2008, 97,9% das crianças entre 6 e 12 anos estão matriculadas. A porcentagem cai para 89,8% entre os jovens de 13 a 17 anos, enquanto apenas 34,4% da população entre 18 e 23 anos está inscrita em algum nível de ensino.

O Brasil está melhor do que a maioria dos seus vizinhos quando o assunto é gravidez na adolescência. A média na América Latina é de 80 nascimentos entre mil mulheres de 15 a 19 anos.

No Brasil, o número é de 56. Na América do Sul, apenas o Chile ganha do País com 49 nascimentos. O campeão no relatório é a Nicarágua com uma relação de 109 bebês entre mil mulheres nessa faixa de idade.

"Há estreita relação entre o nível educacional das mulheres e a maternidade na adolescência", destaca a ONU. "O assunto está ligado à forte estratificação por nível socioeconômicos que caracteriza a região".

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