Aprovação de venda da Nossa Caixa será difícil, diz deputado

Para presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, incorporação do banco pelo BB tramitaria mais rápido

Ricardo Leopoldo, Agência Estado

23 de maio de 2008 | 18h05

O presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, José Carlos Vaz de Lima (PSDB), afirmou nesta sexta-feira, 23, à Agência Estado que um leilão para a venda da Nossa Caixa, no qual poderia participar bancos privados, como defendem o Bradesco, Itaú e Unibanco, enfrentaria maiores dificuldades para ser aprovado pelos deputados paulistas do que a venda direta para o Banco do Brasil.   Veja também: Bradesco e Itaú defendem leilão para Nossa Caixa Unibanco também manifesta interesse na compra AE Investimentos: veja opinião de analistas     "Há um clima político mais favorável na Assembléia para a aprovação da alienação da Nossa Caixa ao BB do que um processo mais genérico, no qual o governo do estado envia um projeto e solicita uma autorização para a negociação sem especificar quem poderia ser o possível comprador", comentou.   "Se for encaminhado um projeto de lei que solicita a incorporação da Nossa Caixa pelo BB com as devidas avaliações técnicas e jurídicas, penso que este projeto poderá tramitar celeremente na Assembléia. Se por acaso, o formato for outro, isso demandaria uma discussão muito mais ampla."   Para o deputado Vaz de Lima, o leilão não garante necessariamente que a Nossa Caixa vai obter um preço bem maior do que o poderá ser pago pelo Banco do Brasil com base numa avaliação independente de uma empresa de auditoria com experiência internacional. "Durante o processo de leilão é possível que os concorrentes se comuniquem e tenham parâmetros para definir ofertas que seriam muito próximas do preço mínimo", comentou.   O presidente da Assembléia Legislativa ressaltou que não tem condições de estimar o preço mínimo de venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil, pois tal número precisa ser determinado de forma técnica por uma empresa de auditoria de experiência internacional, capaz de projetar o valor justo de mercado.   "O preço mais adequado pela Nossa Caixa deve ser determinado a partir da avaliação de uma consultoria independente, adicionado ao prêmio que o comprador está disposto a pagar para incorporar uma instituição tão sólida e importante, que atua no principal estado da federação", acrescentou.   Vaz de Lima destacou que o presidente da Federação dos Bancários do Estado de São Paulo, Davi Zaia, manifestou que o presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, deu garantias de que não haverá demissões em massa da Nossa Caixa com a compra pelo BB, como informou o repórter Rodrigo Petry da AE.   "Isso é uma indicação de que a incorporação da Nossa Caixa pelo BB não será negativa para os trabalhadores, o que será um dos fatores que levaremos em consideração para aprovar a incorporação do banco estadual pelo Banco do Brasil", afirmou.   Ao ser questionado sobre a posição manifestada pelo jurista Ives Gandra da Silva Martins de que a venda direta da Nossa Caixa para o Banco do Brasil seria inconstitucional, o deputado Vaz de Lima afirmou que, em principio, não vê nenhuma ilegalidade.   Para o deputado, não há inconstitucionalidade num projeto de lei que poderia ser encaminhado pelo poder executivo à Assembléia propondo a incorporação dos ativos da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, pois quem tem que definir esta questão é o Banco Central.

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