INGO WAGNER/EFE/EPA
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Economia europeia se beneficia dos negócios em torno dos cruzeiros, que movimentaram ¤ 16,6 bilhões em 2014

Economist.com, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2015 | 02h03

Os pátios do estaleiro Montfalcone de Fincantieri perto de Trieste, ao norte da Itália, estão surpreendentemente quietos, enquanto enormes blocos que serão transformados em cidades flutuantes são soldados. Em 22 de junho, Pierfrancesco Vago, presidente executivo da MSC Cruises, chegou para aumentar esse número, ao ligar o interruptor para iniciar o corte das placas de aço para o primeiro de dois novos navios Seaside que foram encomendados pela MSC.

A encomenda faz parte de um investimento de ¤ 5,1 bilhões (US$ 5,57 bilhões) em novos navios feitos pela empresa sediada na Suíça, a quarta maior operadora de cruzeiros do mundo. Em Fincantieri, há 14 navios em projeto ou em construção, e o Virgin Cruises, recém-chegado, deseja construir outros três. Em 2009 e 2010, os estaleiros de Fincantieri estavam operando em 50% da sua capacidade. Neste ano, o porcentual vai para 70 a 75% e, em 2016 e 2017, passará de 90%, diz Giuseppi Bongo, seu diretor executivo. A atividade é intensa também em outros grandes estaleiros da Europa.

Em 15 de junho, a Carnival Corporation, a maior operadora de cruzeiros, revelou detalhes de um acordo de compra de quatro navios gigantescos da Meyer Werft, na Alemanha, e Meyer Turku, na Finlândia. Em 19 de junho o maior navio de cruzeiro do mundo, o Harmony of the Seas, da Royal Caribbean, acessou lentamente as águas na STX France em Saint Nazare. Dos 32 navios de cruzeiro encomendados para a empresa, 30 vêm sendo construídos na Europa, segundo o sindicato das empresas do setor, SEA Europe.

Os cruzeiros são apenas uma subcategoria do setor do turismo, mas têm grande importância na Europa em razão do seu elo com a construção naval. Foram-se os dias em que os estaleiros europeus produziam quase todos os navios circulando pelo mundo: hoje, China, Coreia do Sul e Japão respondem pela construção da maior parte dos navios petroleiros e cargueiros. Mas a Europa ainda retém uma parte da atividade que inclui os navios de cruzeiro.

Dados divulgados esta semana pela Cruise Lines International Association (CLIA) Europe, explicam a situação. Os valores que entram diretamente na economia europeia e que provêm de todas as atividades ligadas aos cruzeiros aumentaram consistentemente desde 2009, apesar das dificuldades econômicas e desastres ocorridos com navios de cruzeiro. Em 2014, as entradas totalizaram ¤ 16,6 bilhões, um aumento de 2,8% em relação a 2013. Esse crescimento deveu-se inteiramente ao aumento de 12,8% dos gastos nos estaleiros europeus, para ¤ 4,6 bilhões. Saber se isso vai durar dependerá da demanda dos passageiros e da evolução das construtoras rivais.

A demanda vem crescendo. Mais de 22 milhões de pessoas fizeram um cruzeiro pelo oceano em 2014: 12 milhões dos EUA, seis milhões da Europa, e um grupo que aumenta rapidamente na Ásia. Os operadores vêm tropeçando uns com os outros para expandir o mercado além dos "recém-casados, dos glutões e dos velhinhos alquebrados". Alguns navios são adaptados para famílias. Outros são assustadoramente ecléticos. Os temas variam, de compras a jogos e justiça social: a partir de abril, um cruzeiro promovido pela Carnival para a República Dominicana permitirá aos passageiros se ocuparem em plantações de cacau, confeccionarem chocolates artesanais e terem aulas de inglês.

Os novos competidores, como também novas ofertas, expandem a demanda, mas as barreiras à entrada são grandes. Navios são caros e complexos para administrar. As três maiores operadoras detêm quatro quintos dos passageiros. A MSC Cruises dependeu durante dez anos do suporte da empresa matriz construtora de navios cargueiros até se estabelecer no mercado.

Os desafios à hegemonia dos armadores da Europa até agora não tiveram êxito. Segundo os europeus, seus concorrentes asiáticos carecem das redes de fornecedores necessárias para oferecerem navios sofisticados. A STX, empresa sul-coreana, pretende vender seus estaleiros na Europa adquiridos não faz muito tempo. A Meyer of Germany comprou a STX Finland (agora Meyer Turku) em 2014. Giuseppi Bono não diz se a Fincantieri gostaria de comprar a STX France. A Mitsubishi Heavy Industries, do Japão, talvez hesite a se aventurar de novo na construção dos navios de cruzeiro uma vez que os dois que vêm construindo para a Carnival estão atrasados e gerando custos para a empresa. A última real tentativa nos Estados Unidos acabou vergonhosamente há uma década, quando o Pride of America foi levado para a Europa para conclusão dos trabalhos.

Esta situação não irá durar para sempre, diz Ian Rennardson, do banco de investimento Jefferies. Os armadores chineses, como os passageiros chineses, vêm se entusiasmando com os cruzeiros. Em 2014, a Carnival firmou acordo com a China State Shipbuilding Corporatio para a construção de um navio de cruzeiro com a Fincantieri. Os europeus não rechaçarão os recém-chegados.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR TEREZINHA MARTINO, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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