Apuração aponta que executivos da Enron foram negligentes

Os ex-executivos da Enron Kenneth Lay e Jeffrey Skilling foram negligentes e falharam ao não controlar de forma adequada o uso de entidades com propósitos especiais pela Enron para esconder as dívidas de seu balanço. Essa foi a conclusão do relatório final de Neal Batson, examinador indicado por tribunal para o caso de concordata da companhia. "Há evidência de que eles tinham a posse dos dados necessários para concluir que algumas dessas transações careciam de qualquer justificativa racional", escreveu Batson no documento. "A partir dessa evidência, pode-se inferir que eles agiram de má fé ao aprovar essas transações e, portanto, violaram suas obrigações fiduciárias", disse ele. InvestigaçõesDezenove diretores que trabalharam para a Enron entre 1997 e o final de 2001 são examinados pelo relatório. Lay e Skilling, especificamente, sabiam ou deviam saber que seus empregados estavam usando de forma errada as transações com entidades de propósitos específicos "de maneira que resultasse na disseminação de informação financeira significativamente equivocada".O relatório também concluiu que Lay e Skilling têm de devolver empréstimos à Enron. Entre maio de 1999 e outubro de 2001, Lay tomou emprestados US$ 94,3 milhões da Enron e pagou utilizando ações da companhia. Em maio de 1999, Skilling pagou US$ 2 milhões à Enron também fazendo uso de ações. O comitê de compensação do grupo, que aprovou essas transações, não tinha autoridade segundo a lei de Oregon para fazer com que a Enron recomprasse suas ações dessa maneira, escreveu Batson.Arthur Andersen e bancos ajudaram Enron em fraudeO relatório também informou a Arthur Andersen ajudou a Enron a infringir regras contábeis. Segundo o documento, o CSFB, o Royal Bank of Scotland e o Toronto-Dominion Bank também ajudaram e foram cúmplices com as infrações de regras fiduciárias pelos representantes da Enron. O examinador afirma que todas essas empresas tinham conhecimento da "conduta errada" da Enron a respeito do uso de entidades com propósitos específicos. Por causa disso, seria justo subordinar as alegações dessas companhias à de outros credores da Enron, de acordo com o relatório. O CSFB está tentando recuperar US$ 417 milhões; o RBS, US$ 537 milhões; e o Toronto-Dominion, US$ 57,8 milhões. A Enron pediu concordata em Nova York há quase dois anos, quando o uso desses métodos questionáveis veio à tona. As informações são da Dow Jones.

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