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Aqua faz nova aquisição em plataforma de maquinário

Operação na compra da Rech Tratores envolveu quase R$ 100 milhões

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2021 | 05h00

O Aqua Capital acaba de reforçar sua plataforma de peças para maquinário com a aquisição da Rech Tratores, voltada a equipamentos de construção. A operação envolveu quase R$ 100 milhões. O fundo, um dos principais do País com foco em agronegócio e controlador da plataforma de distribuição de insumos Agrogalaxy, deu início à empreitada em maquinário em 2018, quando comprou a Rech Agrícola. No fim do ano passado, adquiriu mais uma empresa do segmento, focada em agricultura, a Verde Agrícola. Gustavo Pimenta, sócio do Aqua, conta que a compra da Rech Tratores deve alçar a plataforma a um novo patamar: da receita de R$ 320 milhões no fim de 2020 para R$ 500 milhões neste ano. O salto virá também do crescimento orgânico, sair de 25 para 32 lojas próprias e de oito para 20 franqueadas. Cerca de R$ 40 milhões serão investidos nas novas unidades.

Sede

O plano de consolidação segue firme, diz Pimenta, o que significa mais aquisições a caminho. “Nosso apetite por oportunidades tanto na linha verde (agrícola) como amarela (construção) continua. Há muitas oportunidades em regiões e segmentos em que gostaríamos de fortalecer nossa posição”, diz. Com mais empresas no portfólio e a meta de ter 50 lojas e 100 franqueadas em 3 anos, o faturamento da plataforma deve alcançar R$ 2,5 bilhões. 

De vento em popa. Líder de um mercado pulverizado que avança de 3% a 5% ao ano, a Rech Tratores, de Sinop (MT), vem crescendo 30%. Nilson Gilberto Agostini, CEO do Grupo Rech, explica que há boa perspectiva de demanda para empreendimentos de menor porte, no qual a empresa concentra sua atuação. No setor agrícola, o cenário é igualmente positivo, com a previsão de maior mecanização nos próximos anos e novo padrão de consumo dos produtores, que têm priorizado mais a manutenção preventiva dos equipamentos.

Volte uma casa

As turbulências político-econômicas no Brasil devem retardar as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) previstas para este início de ano, diz André Cury, responsável pelo Citi Commercial Banking. Ante os riscos, investidores acabam diminuindo o valor ofertado, desestimulando a transação, diz. “Parte das operações, em vez de sair em março e abril, vai ficar para maio, junho, ou depois”, diz o executivo da área que atende empresas com faturamento de R$ 250 milhões a R$ 5 bilhões.

Siga em frente. Ainda assim, Cury acredita que muitos IPOs serão lançados ainda em 2021. O Citi está envolvido em cerca de 40 deles, dos quais 12 são de empresas do agronegócio. “A maioria deles deve sair neste ano.”

Aposta

Um laboratório de sementes, com capacidade para até 20 mil análises por ano, é o novo xodó da Frísia. Nele, a cooperativa do Paraná vai avaliar principalmente a sua própria produção, das Sementes Batavo. “Se não tivermos uma semente de alta qualidade, já começamos o jogo perdendo”, diz Marcelo Cavazotti, gerente de negócios agrícolas da Frísia. Localizado em Ponta Grossa (PR), o laboratório deve fazer 10 mil análises neste primeiro ano. Ele substitui o antigo em Carambeí (PR), que tinha capacidade para quase 6 mil análises anuais.

De ponta

O aporte na estrutura, de R$ 3 milhões, é parte de um investimento de R$ 50 milhões que a Frísia concluirá até 2025 para ampliar a sua produção de sementes. “Estamos trabalhando para chegar a 1 milhão de sacas de sementes de soja produzidas e comercializadas em 2025”, diz Cavazotti. Atualmente, são 700 mil a 750 mil sacas de sementes de soja e 200 mil a 250 mil sementes de trigo.

Segura

A It’sSeg Company, maior corretora de seguros independente do País (não vinculada a bancos e multinacionais) escolheu o agronegócio como uma das áreas para ajudá-la a dobrar de tamanho em três anos. Em 2020 foram R$ 2,3 bilhões em apólices processadas. A aquisição em 2019 da corretora paranaense Bergus, com carteira de 200 clientes (27 cooperativas), foi o primeiro passo no setor. Novas aquisições, produtos e expansão territorial serão os próximos movimentos, conta Thomaz Menezes, presidente da It’sSeg.

Cheque

O executivo, que foi presidente da SulAmérica de 2010 a 2013 antes de fundar a corretora, alocou R$ 15 milhões para, entre outras ações, reforçar a equipe técnica e de vendas e desenvolver novos seguros agrícolas em parceria com duas seguradoras. Em campo, o plano em 2021 é expandir a atuação especialmente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, assim como no Paraná, reduto da Bergus e de grandes cooperativas. “Somos consultores dos clientes. Queremos mostrar aos pequenos e médios produtores que o seguro não é inacessível.” 

Sinal amarelo

Guilherme Bellotti, gerente de consultoria Agro do Itaú BBA, avalia que o setor de proteína animal precisa ficar atento à alta dos preços dos grãos no mercado internacional, que influencia as cotações internas. A pressão sobre as margens da indústria, que depende de farelo de soja e de milho, pode se prolongar com o aperto do estoque no mundo, fazendo crescer a necessidade de gerir risco para se proteger contra novas altas dos insumos. “O cenário não é mais tão alvissareiro como em 2020.”

 

CLARICE COUTO e LETICIA PAKULSKI

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