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 Magnus Elander/Divulgação
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Aquecimento global abre novo caminho para exportações da China

Nova rota pelo Ártico encurta em sete mil quilômetros a distância  para a Europa e estimula o comércio

Economia & Negócios,

13 de agosto de 2013 | 16h42

SÃO PAULO - As mudanças climáticas se transformaram em uma importante aliada das empresas de navegação chinesas. O navio Yong Sheng, de 19.461 toneladas, da empresa Cosco, deu início no porto de Dalian, província de Liaoning, a uma viagem de 33 dias para chegar a Rotterdam, na Holanda.

O navio vai passar o estreito de Bering e navegar ao longo da costa russa, segundo informou a imprensa oficial chinesa. Trata-se do primeiro navio mercante da China a utilizar a passagem do Noroeste do Ártico, ou rota marinha do Norte, para chegar à Europa.

A via pode representar uma revolução para o comércio mundial a longo prazo. Geralmente a rota não era utilizada porque as geleiras tornavam a navegação impossível.

Com o degelo decorrente do aquecimento global, as empresas acreditam que poderão reduzir em 30% o tempo de duração da viagem, que passaria de 48 para 33 dias. A mudança significa um forte impacto em termos de vantagem econômica para os produtos chineses.

Analistas internacionais ainda são prudentes e advertem que serão necessários vários anos até que o trajeto seja considerado comercialmente viável e uma alternativa ao Canal de Suez.

 

A viagem é mais curta e permite desviar da instabilidade da região de Suez. Mas a rota só se tornou possível porque o aquecimento global ampliou o período de degelo.

A área é navegável por apenas quatro meses do ano - do fim de julho a novembro. E permite uma economia de sete mil quilômetros em relação ao trajeto convencional pelo Oriente Médio.

Especialistas chineses ouvidos pelo jornal El País disseram que esta via de transporte mais curta pelo Ártico vai mudar o panorama industrial das províncias costeiras do país e dará impulso à indústria naval.

O governo chinês espera que a rota ajude a desenvolver a região Noroeste, muito afetada pelo desmantelamento e privatização industrial levada a cabo por Pequim desde o início do processo de reformas econômicas, há 30 anos.

Atalho. O navio Cosco terá entre outras missões a de encontrar novos pontos de crescimento do mercado. "Uma vez que a nova rota seja aberta, ela modificará a pauta do mercado e da indústria naval global, porque vai encurtar de forma significativa a distância marítima entre a China e o Ocidente", afirmou Qi Shaobin, professor da Universidade Marítima de Dalian, em entrevista ao diário China Daily.

Outros analistas são mais cautelosos. "Certamente o câmbio climático abre novas rotas", disse o especialista canadense Cameron Dueck, em entrevista o Financial Times. "Mas as rotas mais comuns vão continuar tendo preferência na maior parte do ano", acrescentou.

O trânsito de mercadorias pelo Estreito de Bering alcançou um milhão de toneladas de diferentes tipos de produtos no ano passado.

Em 1987, o volume chegou a 6,6 milhões de toneladas, mas após o desmonte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991, o transporte de mercadorias diminuiu, e os portos e instalações que serviam à rota foram abandonados.

Também foram abandonados os navios quebra-gelo com propulsão nuclear, que a Rússia usava para escoltar petroleiros e navios de gás pelo Ártico.

Tráfego. Em 2012, 46 barcos utilizaram a passagem do Ártico, contra apenas quatro no ano 2010. O tráfego ainda é desprezível perto do trajeto convencional por Suez, por onde passaram 19 mil bancos no ano passado.

Mas cerca de 90% do comércio da segunda maior economia do mundo é marítimo, e os especialistas chineses calculam que 15% do total de produtos seguirá pelo Ártico até 2020.

A Europa é um dos maiores parceiros comerciais da China, com cerca de US$ 550 milhões em 2012.

O governo chinês criou em junho um instituto de investigação com sede em Xangai para estudar os recursos e potencial naval e econômico do Ártico em cooperação com países da região.

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