Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

‘Aqui todo mundo quer passar em concurso'

Dalva e o marido Ronaldo são servidores públicos e como eles outros 860 moradores de Bom Jesus da Serra

Renée Pereira, enviada especial, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2017 | 05h00

BOM JESUS DA SERRA (BA) - Em Bom Jesus da Serra ser funcionário da prefeitura é ter status – um privilégio. No total, a gestão municipal emprega 862 pessoas, sendo 460 concursados.

O casal Dalva Nunes de Oliveira Silva e Ronaldo Meira Silva Dias fazem parte desse seleto grupo de trabalhadores. Os dois são concursados, têm casa própria, carro e creche de graça para as crianças. “Isso sem contar no sossego e no baixo custo de vida da cidade”, afirma Dalva, que sempre sonhou em ser funcionária da prefeitura para não ter de deixar a cidade. “Aqui todo mundo quer passar em concurso, mas tenho amigos e tios que foram embora por falta de oportunidade”, diz Dalva.

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Ela trabalha desde 2008 na gestão municipal na área de arquivo e digitalização. O marido é motorista de ambulância desde 2011. Com duas crianças pequenas, os dois não conseguem enxergar melhor lugar para educar as filhas. “A gente só sai daqui se precisar fazer exames complexos ou comprar roupas. De resto temos tudo, saúde, educação e diversão”, diz Dias. O principal evento da cidade é a Festa do Padroeiro de Bom Jesus da Serra, mais conhecida como Festa de Agosto.

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Todos os dias, quando o sol se põe, a praça principal da cidade é tomada por dezenas de moradores. As crianças curtem, tranquilamente, a habitual pelada do fim de tarde enquanto os adultos correm ou caminham em volta da praça. Entre 19 horas ou 20 horas, todos já estão de volta às suas residências, jantam e, alguns, pegam suas cadeiras e vão sentar na calçada – ou no passeio, como dizem por lá. “Essa é a rotina da cidade pequena”, diz Jerre Moreira do Carmo, que tem 27 anos de prefeitura.

Já foi chefe de almoxarifado, secretário de obras e hoje é diretor do hospital da cidade. A mulher é auxiliar de serviços gerais na escola do município há 15 anos e uma filha é celetista no Centro de Referência de Assistência Social (Cras). “Quem não tem emprego na prefeitura tem problema. Alguns têm gado e vão se virando com isso; outros são aposentados e têm os beneficiários do Bolsa Família. A igreja também ajuda bastante as famílias.” Só no hospital, há 57 pessoas contratadas.

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Na creche municipal, há mais 24 professoras (além das auxiliares) que atendem 170 crianças – um dos estabelecimentos mais elogiados na cidade. O local é administrado por Cristiane Libarino Moreno da Silva, concursada desde 2006. Ela é outra moradora que comemora a calmaria da cidade pequena e a boa qualidade de vida da população – especialmente dos funcionários da prefeitura.

 

 

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