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Aquisição da Syngenta pela ChemChina é aprovada por comissão nos EUA

A proposta de aquisição da ChemChina faz parte de uma série de investimentos em companhias estrangeiras por empresas chinesas neste ano

Dow Jones Newswires

22 de agosto de 2016 | 13h10

A estatal chinesa National Chemical Corp, a ChemChina, anunciou nesta segunda-feira que a Comissão sobre Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês) liberou sua proposta de aquisição da suíça produtora de sementes e agroquímicos Syngenta, em um acordo de US$ 43 bilhões, tirando um dos maiores obstáculos para a conclusão desta negociação.

A aquisição da Syngenta pela ChemChina deverá ainda ser avaliada por outros órgãos reguladores em diversos mercados. A CFIUS, em particular, avalia o risco de operações financeiras à segurança nacional e tem representantes de 16 departamentos e agências, incluindo o Tesouro e os departamentos de Segurança Interna e de Defesa, mas não o Departamento de Agricultura (USDA). O órgão tem o poder de bloquear ofertas que considera uma ameaça à segurança do país, porque um quarto das vendas da Syngenta vêm da América do Norte. O acordo, que marca a mais ambiciosa tentativa de aquisição estrangeira por uma empresa chinesa até hoje, ainda está sujeita a avaliação antitruste, entre outras.

A União Europeia (UE), por sua vez, deve fazer uma ampla auditoria para identificar se outras estatais chinesas do setor fazem parte do mesmo grupo da ChemChina e se isso levaria à concentração no mercado de defensivos na Europa, avaliam agentes. 

"É possível haver uma briga durante a análise da companhia porque nem sempre é claro quanto controle o Estado chinês tem sobre uma empresa particular e se ele coordena as atividades daquela companhia junto com as de outra empresa do mesmo setor", disse David Anderson, sócio do escritório belga da área antitruste Berwin Leighton Paisner LLP. 

Se a UE considerar que a ChemChina de fato faz parte de um grupo maior de empresas, aumentariam as chances de haver sobreposição das atividades da companhia e da Syngenta. Neste caso, Syngenta e ChemChina poderiam se ver obrigadas a vender ativos, segundo Jeremy Redenius, analista sênior da Bernstein Research.  

O escrutínio dos efeitos do acordo, para o setor de agroquímicos e também de petróleo, já é esperado também porque a ChemChina tem o controle da Adama, empresa com forte atuação nos segmentos de inseticidas e herbicidas, junto com Syngenta e Dow Chemical, de acordo com a Bernstein Research.  

Enquanto aguarda um desfecho do processo, a ChemChina trabalha para garantir recursos para a operação. HSBC Holdigs e China Citic Bank International devem prover os US$ 43 bilhões envolvidos no negócio, mas outros agentes do setor trabalham no financiamento de longo prazo da companhia compartilhando parte dos débitos com outros bancos e vendendo ações da Syngenta para co-investidores. 

A proposta de aquisição da ChemChina faz parte de uma série de investimentos em companhias estrangeiras por empresas chinesas. No acumulado do ano, as chinesas assinaram um recorde de US$ 159,2 bilhões em ofertas no exterior. Este volume já ultrapassou todo o montante registrado em 2015, de US$ 105,7 bilhões e é mais do que o triplo do volume de dois anos atrás, de acordo com Dealogic. A ChemChina e a Syngenta afirmaram nesta segunda-feira que esperam que o acordo seja concluído até o fim do ano.

 

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