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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Aquisições em compasso de espera

Como aeronaves esperando numa longa fila na pista de decolagem, dezenas de aquisições anunciadas nos últimos meses - como a da rede de hotéis Hilton e da Clear Channel Communications - esperam para decolar. Mas, se os instintos de Wall Street estiverem certos, a quebra de crédito global talvez deixe alguns aviões em terra. A queda brusca nos preços das ações de empresas cuja venda já estava acertada por valores mais altos indica que os investidores acreditam que algumas dessas transações podem ser abaladas.Há mais coisas em jogo em Wall Street além dos gordos bônus de fim de ano. Qualquer efeito negativo decorrente de uma série de aquisições fracassadas poderá repercutir em ondas até atingir muitas pessoas comuns, dizem os especialistas. Isso porque a desaceleração na atividade de fusões e a desistência de transações existentes poderão prejudicar o mercado de ações, que nadou no frenesi de aquisições dos últimos dois anos, conduzido por bancos de investimentos e enormes fundos de private equity.O declínio no valor das ações poderá enfraquecer a confiança e a disposição de investimento das pessoas, o que, por sua vez, prejudica a economia e, em última análise, diminui o número de empregos. ''''Esta é uma clássica crise de confiança e não um problema de fundamentos da economia'''', disse James Bianco, analista e investidor em títulos baseado em Chicago. ''''Mas isso não quer dizer que não possa provocar danos.''''RESSACAPessimistas em relação aos mercados dizem que ainda haverá mais padecimentos à medida que os bancos e os investidores lidarem com a ressaca decorrente de anos e anos de crédito fácil e atitudes blasé em relação aos riscos. As transações futuras, se acontecerem, serão feitas a preços mais baixos, taxas de juros mais altas e em condições mais realistas. Isto é, mais rigorosas para os tomadores de empréstimos.Enquanto isso, dezenas de contratos de compra aguardam fechamento. Dois dos mais comentados incluem a gigante radiofônica Clear Channel Communications, que fez um acordo para ser vendida por US$ 19,5 bilhões aos investidores Thomas H. Lee Partners e Bain Capital, e a cadeia de hotéis Hilton, vendida para o Blackstone Group por US$ 26 bilhões.Há mais megatransações esperando fechamento hoje do que em qualquer outra época. Prashant A. Bhatia, analista do Citigroup, contou 47 transações pendentes no valor de US$ 1 bilhão ou mais, lideradas pelo acordo recorde de US$ 37 bilhões do fundo Kohlberg Kravis Roberts para compra da empresa de eletricidade de utilidade pública TXU Corp., com sede no Texas.''''As transações em carteira levarão meses para sair'''', disse Bhatia. ''''O volume de transações vai diminuir e negócios muito altos não serão fechados.'''' O que está acontecendo com as hipotecas afeta os títulos corporativos porque, em muitos casos, os investidores são as mesmas pessoas.Um fundo hedge que tomou dinheiro emprestado para investir em títulos garantidos por hipoteca e está agora enfrentando a exigência de pagamento por seus financiadores pode ser obrigado a vender seus títulos corporativos para levantar dinheiro vivo. Isso empurra os preços dos títulos para baixo, mesmo se as empresas que emitem títulos estejam fazendo bons negócios e não enfrentem problemas para efetuar pagamentos.

Thomas Mulligan, Los Angeles Times, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2027 | 00h00

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