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Ar-condicionado é vedete atual nas lojas de Rivera

Aparelhos chegam a ser empilhados nas portas das lojas à espera dos clientes Brasileiros

, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2011 | 00h00

Procedente de Bento Gonçalves, o engenheiro eletricista Rubens Barcelos, 41 anos, começou cedo a quarta-feira. Antes de o sol nascer, ele e a mulher, Tânia, 39, deram início ao percurso de 650 quilômetros entre o polo vinicultor da Serra Gaúcha e Rivera, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Principal ambição: comprar um aparelho de ar-condicionado modelo Split.

"Os daqui vêm com tubulação, são de 60 Hz e oferecem ar quente e frio. Além disso, com o preço de um nacional eu compro dois aqui", justifica. Barcelos ainda dá a dica: prefere os aparelhos que também são oferecidos no mercado brasileiro. Assim, tem assistência técnica garantida.

Os aparelhos de ar-condicionado são as vedetes dos free shops - chegam a ser empilhados em frente às lojas. "De um ano para cá, a venda aumentou muito. E o cliente está diferente, entende o funcionamento do produto e sabe bem o que quer", relata o vendedor Pedro Gaston, 43 anos, cujo recorde de vendas é de 200 unidades em um só dia.

Gaston relata que Rivera vive uma de suas melhores fases. "Só era mais forte quando o dólar e o real estavam equiparados. Naquela época, havia filas de acordo com o produto que seria levado", lembra. Para driblar a Receita, as lojas oferecem o aparelho de 9 mil BTUs por US$ 299. Assim, o cliente não corre o risco de ter seu Split apreendido - ele fica justamente dentro da quota permitida ao turista que viaja por via terrestre.

Cota. Grande parte dos brasileiros, porém, ainda prefere se arriscar e tenta voltar ao País com mercadorias que ultrapassam o limite fixado, deixando de pagar os impostos, conta o inspetor chefe da 11.ª Delegacia de Polícia Rodoviária Federal, Valmir Espírito Santo. "Os impostos correspondem a 50% do valor que excede a cota. Em um ar-condicionado que custa US$ 350, o turista vai pagar US$ 25 sobre o excedente, cerca de R$ 40, e levar um produto legalizado", explica.

Com cada vez mais turistas indo às compras em Rivera, a Receita Federal teve de intensificar a fiscalização e se viu sem espaço para guardar tantos produtos irregulares apreendidos. O órgão precisou de um segundo imóvel e também mandou trazer contêineres confiscados em outras partes do País. Os oito que estão em Santana do Livramento já estão lotados, mas outros quatro devem chegar em breve.

Desde o fim do ano passado, 60 servidores de outras unidades reforçam a equipe durante os feriados, tanto no trabalho de fiscalização como no de educação fiscal. "Ficamos na rodovia, a cerca de sete quilômetros da entrada da cidade, e entregamos os folhetos para que as pessoas cheguem aqui já informadas sobre as regras", diz o inspetor Carlos Luciano Santanna.

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