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Arábia Saudita discute como compensar falta de petróleo Líbio

Redução da produção da Líbia levou o preço do petróleo Brent a subir para perto de US$ 120 por barril

Renato Martins, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2011 | 14h53

Um alto funcionário do setor de petróleo da Arábia Saudita disse que seu país está em "conversações ativas" com várias companhias europeias sobre como compensar a redução na produção da Líbia, que levou o preço do petróleo Brent a subir para perto de US$ 120 por barril. Segundo esse funcionário, as conversações com as refinarias são "sobre se elas precisam de petróleo extra e, neste caso, quanto, de qualidade e quando. Podemos suprir imediatamente".

Para Olivier Jakob, diretor executivo da Petromatrix, "esse é um passo positivo, que deve remover alguma pressão dos preços. É o primeiro sinal que temos de que os sauditas estão preparados para fazer alguma coisa". Analistas contrastam essa situação com a de 2008, quando o preço do petróleo bruto subiu a US$ 147 por barril e a Arábia Saudita foi lenta em aumentar sua oferta; naquela ocasião, o governo saudita atribuía a alta dos preços à ação de especuladores financeiros e isso alimentou a preocupação de que a Arábia Saudita não tivesse capacidade ociosa de produção para aumentar a oferta, caso quisesse fazê-lo.

Há informes contraditórios sobre a redução da produção de petróleo da Líbia que a revolução em andamento no país teria causado. Algumas estimativas falam em 400 mil barris por dia, cerca de 25% da produção total do país, de cerca de 1,6 milhão de barris por dia.

Segundo o executivo-chefe da italiana ENI, Paolo Scaroni, a queda de produção da Líbia é de cerca de 75%, ou 1,2 milhão de barris por dia. A Líbia é o 12º maior exportador mundial de petróleo e vende a maior parte do que produz para a Europa, especialmente para a Itália. De todas as companhias internacionais de petróleo, a ENI é a que tem a maior exposição à Líbia, que responde por 8% da produção total da empresa.

O funcionário saudita disse que seu país "sem dúvida pode, e está disposto a suprir mais petróleo ao mercado" e que não vê "nenhuma razão para o preço do petróleo subir". Duas opções estariam sendo estudadas: embarcar mais petróleo para a Europa por meio do oleoduto Leste-Oeste, que liga o Golfo Pérsico ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, ou introduzir acordos de troca, pelos quais o petróleo produzido no Oeste da África para clientes na Ásia seria redirecionado para a Europa e a Arábia Saudita compensaria isso fornecendo diretamente aos compradores asiáticos.

A Nigéria produz petróleo leve da mesma qualidade da Líbia; a Arábia Saudita produz cinco tipos diferentes de petróleo, que poderiam ser misturados de modo a se adequar às especificações requeridas pelas refinarias europeias.

Outro funcionário saudita afirmou que os países do Oeste da África que são membros da Opep se disseram dispostos a repor o petróleo líbio. "Queremos assegurar ao mercado que a Opep não permitirá nenhum desabastecimento no mercado e que os preços atuais não se justificam", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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