Arábia Sáudita e Emirados Árabes devem cortar juros na quarta

Analistas e bancos da região aguardam corte após anúncio de redução de 0,75 ponto na taxa dos EUA

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

22 de janeiro de 2008 | 16h47

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e outros países do Golfo Pérsico deverão cortar o juro nesta quarta-feira, 23, para seguir igual decisão tomada nesta terça pelo Federal Reserve nos EUA, segundo analistas e bancos da região.  Os bancos nos EAU estão esperando um corte de 50 pontos-base, depois do Fed em uma sessão de emergência ter decidido reduzir sua taxa de juro básica em 75 pontos-base para 3,50% para estimular o crescimento nos EUA.  "Estamos esperando um corte no juro de não menos que 50 pontos-base. Se o banco central não cortar a taxa Eibor (Emirates Interbank Offered Rate) sobre o dirham (unidade monetária básica usada em países árabes), vamos terminar com excesso de vendas do dólar que vão alimentar a inflação", disse Amgad Younes, vice-executivo-chefe do Al Hilal Islamic Bank, em Abu Dhabi. O dirham dos EAU está fixado em uma taxa de 3,67 por dólar e como outros países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que têm suas moedas atreladas ao dólar dos EUA, o banco central dos EAU tem seguido de perto as decisões sobre juro do Fed.  Com a inflação nos EAU devendo exceder os 10% este ano, o banco central local está sob crescente pressão para abandonar o regime de "currency peg" com o dólar, em vigor desde 1973.  A situação é similar na Arábia Saudita, Qatar, Oman e no Bahrain, que têm suas respectivas moedas atreladas ao dólar. O sexto membro do grupo, o Kuwait, foi o primeiro a romper esse padrão em maio, quando desatrelou sua moeda do enfraquecido dólar.  Até agora, os bancos centrais do CCG têm resistido aos pedidos para desvalorizar suas moedas. O último corte no juro pelo Fed e a necessidade dos bancos centrais do CCG de seguirem esta decisão deverá agora fornecer combustível adicional à inflação. "75 pontos-base é muito. É mais do que esperávamos, mas o CCG terá de seguir (este corte) e isso significa mais inflação", disse Eckart Woertz, do Gulf Research Center em Dubai.

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