Arábia Saudita planeja aumentar produção de petróleo em julho

Medida seria sinal de que os sauditas estão preocupados com efeitos políticos e econômicos da alta dos preços

Jad Mouawad, The New York Times

14 de junho de 2008 | 15h07

A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, planeja aumentar a sua produção a partir do mês de julho com mais de meio milhão de barris a mais por dia, segundo afirmaram analistas e negociadores de petróleo que foram comunicados por oficiais sauditas.   Veja também:  Especial: preço do petróleo em alta     A expansão pode fazer com que os sauditas elevem para mais de 10 milhões de barris por dia, e se o número for mantido, será o maior já produzido pelo reino. A medida foi considerada como um sinal de que os sauditas estão cada vez mais nervosos com os efeitos políticos e econômicos provocados pelos elevados preços do petróleo. Nas últimas semanas, os altos custos incitaram manifestações e protestos em todo o mundo.   O país extrai atualmente cerca de 9,45 milhões de barris por dia, o que significa um crescimento de 300 mil barris desde o último mês. Enquanto colhem os frutos dos recordes, os sauditas se preocupam com a possibilidade da alta do preço desanimar o crescimento econômico e reduzir a demanda de petróleo dos países. Os valores cobrados hoje tornam ainda os combustíveis alternativos mais viáveis, ameaçando as expectativas de uma economia baseada no petróleo.   Os planos sauditas foram revelados em conversas com muitos negociadores de petróleo e analistas que afirmam que oficiais do país afirmaram em encontros particulares os planos para alguns comerciantes e companhias nos Estados Unidos. Os analistas pediram para não serem identificados para não serem privados de informações do reino.   Os preços do petróleo subiram 40% neste ano, chegando perto dos US$ 140 o barril nos últimos dias e fazendo com que o valor cobrado pela gasolina ficasse em torno dos US$ 4 o galão. Alguns analistas previram que o preço do barril pode chegar a US$ 200 ainda neste ano se o consumo do combustível continuar elevado. A crescente volatilidade dos mercados teria persuadido os sauditas da necessidade de elevar a produção, afirmam especialistas.   Porém, a medida traz alguns riscos para o reino e não dá garantias da redução dos preços. Alguns investidores duvidam que a Arábia Saudita tem a capacidade de ampliar a sua produção além dos níveis atuais. "Isto representa claramente o maior teste para eles", disse John Kilduff, vice-presidente da MF Global, que afirmou ainda que a proposta poderia ter feitos indesejáveis se os investidores não responderem ao suprimento extra dos sauditas". Nenhum outro produtor tem capacidade de expandir rapidamente a sua produção.   Ibrahim al-Muhanna, conselheiro do ministro de Petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi, negou os comentários sobre a elevação da produção, mas disse que a Arábia Saudita está desconfortável com os preços do petróleo. "Nosso objetivo é trazer de volta a estabilidade para o mercado", afirmou. Na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em março, da qual o reino é o membro mais poderoso, o grupo decidiu contra a ampliação da produção, culpando especuladores e a queda do dólar, não a deficiência no suprimento, pela alta dos preços.   A Arábia Saudita está finalizando um grande programa de expansão de sua indústria petrolífera que deve elevar sua capacidade de produção para mais de 12,5 milhões de barris por dia em 2009. Como parte da ampliação, estatal petrolífera saudita Aramco, planeja explorar o campo de Khursaniyah, com produção diária de 500 mil barris.   O aumento da produção, que atingiria menos de 1% do consumo global, poderá ser anunciada durante um encontro sobre energia que acontece na próxima semana e que deve reunir um grande número de países produtores e consumidores de petróleo, como Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, China, Índia e Japão.

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