G20 - Arábia Saudita/AFP
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Arábia Saudita sedia G-20 virtual marcado pelo coronavírus

Esta é a primeira a cúpula do grupo dos 20 países mais ricos do mundo a ser realizada em uma nação árabe

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2020 | 03h33

RYAD - A Arábia Saudita sediará neste sábado e domingo (21 e 22), em formato virtual, a cúpula do G-20, a primeira a ser realizada em um país árabe. O evento será focado nos esforços para conter a pandemia do novo coronavírus e suas consequências econômicas devastadoras, incluindo dívidas.

A reunião de dois dias dos países mais ricos do mundo ocorre em um momento em que o grupo está sendo criticado por sua resposta à recessão global e em que o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não reconhece a derrota na eleição presidencial.

Desta vez não haverá grande cerimônia de abertura e nenhuma chance de acordos bilaterais porque a cúpula será limitada a sessões curtas online, no que alguns já chamam de "diplomacia digital". A pandemia de covid-19 será o tema principal deste G-20, presidido pelo Rei Salmán.

Mais especificamente, a agenda irá tratar da distribuição de vacinas na sequência dos últimos ensaios clínicos promissores e em resposta aos apelos para que o G-20 expanda o seu financiamento para combater o vírus, que infectou mais de 55 milhões de pessoas e matou mais de 1,3 milhão em todo o mundo.

Estão previstos discursos, entre outros, da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente chinês Xi Jinping e do presidente russo Vladimir Putin, indicaram fontes próximas da organização.

O presidente Donald Trump "participará" da cúpula online, disse um funcionário dos EUA à AFP na sexta-feira. Seu secretário de Estado, Mike Pompeo, estará na Arábia Saudita para a nomeação.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson também participará. "Se aproveitarmos a engenhosidade e os recursos coletivos do G-20, podemos traçar um caminho para sair da pandemia e construir um futuro melhor e mais verde", disse Johnson em um comunicado.

"A cúpula do G-20 buscará fortalecer a cooperação internacional para apoiar a recuperação econômica global", disse o ministro das Finanças saudita, Mohammed al-Jadaan.

Os países do G-20 já gastaram mais de US$ 21 bilhões para combater o coronavírus. Cerca de US$ 11 trilhões também foram mobilizados para salvar a economia mundial, segundo os organizadores.

Na sexta-feira, vários líderes encorajaram, em carta acessada pela AFP, os países do G-20 a ajudarem a preencher uma lacuna de 4,5 bilhões de dólares no fundo da Organização Mundial da Saúde (OMS) dedicado a distribuir vacinas contra o coronavírus, entre outras coisas.

“Os avanços recentes nas vacinas contra a covid-19 trazem esperança”, mas devem “chegar a todos (...) o que significa que as vacinas devem ser tratadas como um bem público (...) acessível a todos”, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a repórteres em Nova York.

Os membros do G-20 também abordarão a dívida dos países mais pobres, que enfrentam o colapso de seu financiamento externo. Na semana passada, os ministros das finanças do grupo concordaram com uma "estrutura comum" para aliviar o peso da dívida, envolvendo a China e credores privados pela primeira vez.

Mas as ONGs e Guterres, que esta semana apelaram a "medidas mais ousadas", consideram que não é suficiente e apelaram a um "maior alívio da dívida". O secretário-geral da ONU queria que a suspensão durasse até o final de 2021.

Nesse sentido, o ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, pediu na sexta-feira em uma reunião virtual dos ministros das finanças do G-20 "apoio" aos membros na negociação da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Guzmán agradeceu a "todos os países do G-20 por terem apoiado o processo de reestruturação da dívida argentina" e destacou que "o próximo passo para resolver nossa crise macro e da dívida é o programa com o FMI", em declarações citadas em um comunicado do governo.

A Argentina confirmou a participação de seu presidente, Alberto Fernández, na cúpula, onde também estarão os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e do México, Andrés Manuel López Obrador, os três países latino-americanos que integram o G-20.

A cúpula é manchada por alegações de abusos dos direitos humanos na Arábia Saudita, e parentes dos ativistas presos pediram aos líderes mundiais que a boicotem ou, pelo menos, pressionem os líderes do país a libertarem prisioneiros políticos./AFP

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