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Aracruz decide processar ex-diretor financeiro

Acionistas concordaram em ir à Justiça contra Isac Zagury, culpando-o pelas perdas bilionárias da empresa com operações com derivativos

André Magnabosco, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2008 | 00h00

Os acionistas da Aracruz aprovaram, em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) realizada ontem, a abertura de uma ação de responsabilidade contra o ex-diretor financeiro da companhia, Isac Zagury. O executivo, que apresentou pedido de licença do cargo no final de setembro, é apontado como o responsável pelas operações com derivativos que levaram a Aracruz a registrar uma perda de US$ 2,13 bilhões, assumida no início deste mês.Na ata da assembléia, a companhia informa que a ação é justificada "pelos prejuízos causados à companhia pela celebração de operações com derivativos acima dos limites previstos na Política Financeira". A forma de propositura da ação ainda está sendo analisada por advogados da empresa.Compareceram à assembléia acionistas representando 96,5% do capital social votante. Os controladores da Aracruz são os grupos Votorantim e Safra e a família Lorentzen, que detêm, juntos, 84% das ações ordinárias da companhia. Na ata da assembléia, a companhia informa que o BNDES Participações absteve-se da votação, alegando não ter "elementos de decisão suficientes" para se posicionar. O Fundo Latino Americano CIBC votou contra a ação.A decisão de atribuir a Zagury a culpa pelas operações deve ser utilizada pelos controladores da Aracruz em eventuais processos que sejam abertos contra os controladores, segundo fontes próximas à empresa. Além disso, o processo abre uma brecha legal para que a Votorantim Celulose e Papel (VCP) não cumpra o acordo de compra da participação dos Lorentzen sem o pagamento da multa, estimada em R$ 1 bilhão. "Caso prove que o executivo praticou atos que estavam acima de suas possibilidades, a empresa pode se isentar dessa responsabilidade", diz o sócio do escritório Avvad, Osorio, Fernandes, Mariz, Moreira Lima e Fabião Advogados, Pedro Avvad.O grupo Votorantim afirma que as negociações entre as partes não foram encerradas, mas adiadas. Mas há a possibilidade de que a revisão dos termos assinados e o não-cumprimento do prazo determinado possam resultar na aplicação da multa. As empresas não informam o prazo estabelecido para que o pagamento de R$ 2,71 bilhões da VCP pelos 28% de participação dos Lorentzen seja efetuado. O acordo entre Lorentzen e Votorantim foi adiado por causa das perdas da Aracruz com derivativos e das mudanças no cenário econômico mundial, que fizeram ações preferenciais de classe B da Aracruz caírem abaixo de R$ 2,00 - estavam acima de R$ 10,00 no início de agosto, quando o acordo foi anunciado. O acordo inicial determinava o pagamento de uma quantia bilionária aos Lorentzen, valor que deverá mudar após os acontecimentos dos últimos meses. Já o segundo acordo previa uma relação de troca de ações de VCP e Aracruz para que Safra e Votorantim tivessem condição igualitária de controle sobre a holding que comandaria a maior fabricante de celulose branqueada de eucalipto do mundo. A ação contra Zagury deverá se arrastar por mais de cinco anos, segundo Avvad. O advogado contratado pela Aracruz para defender Zagury, José Carlos Osorio, foi procurado pela reportagem, mas não respondeu. André MagnaboscoOs acionistas da Aracruz aprovaram, em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) realizada ontem, a abertura de uma ação de responsabilidade contra o ex-diretor financeiro da companhia, Isac Zagury. O executivo, que apresentou pedido de licença do cargo no final de setembro, é apontado como o responsável pelas operações com derivativos que levaram a Aracruz a registrar uma perda de US$ 2,13 bilhões, assumida no início deste mês.Na ata da assembléia, a companhia informa que a ação é justificada "pelos prejuízos causados à companhia pela celebração de operações com derivativos acima dos limites previstos na Política Financeira". A forma de propositura da ação ainda está sendo analisada por advogados da empresa.Compareceram à assembléia acionistas representando 96,5% do capital social votante. Os controladores da Aracruz são os grupos Votorantim e Safra e a família Lorentzen, que detêm, juntos, 84% das ações ordinárias da companhia. Na ata da assembléia, a companhia informa que o BNDES Participações absteve-se da votação, alegando não ter "elementos de decisão suficientes" para se posicionar. O Fundo Latino Americano CIBC votou contra a ação.A decisão de atribuir a Zagury a culpa pelas operações deve ser utilizada pelos controladores da Aracruz em eventuais processos que sejam abertos contra os controladores, segundo fontes próximas à empresa. Além disso, o processo abre uma brecha legal para que a Votorantim Celulose e Papel (VCP) não cumpra o acordo de compra da participação dos Lorentzen sem o pagamento da multa, estimada em R$ 1 bilhão. "Caso prove que o executivo praticou atos que estavam acima de suas possibilidades, a empresa pode se isentar dessa responsabilidade", diz o sócio do escritório Avvad, Osorio, Fernandes, Mariz, Moreira Lima e Fabião Advogados, Pedro Avvad.O grupo Votorantim afirma que as negociações entre as partes não foram encerradas, mas adiadas. Mas há a possibilidade de que a revisão dos termos assinados e o não-cumprimento do prazo determinado possam resultar na aplicação da multa. As empresas não informam o prazo estabelecido para que o pagamento de R$ 2,71 bilhões da VCP pelos 28% de participação dos Lorentzen seja efetuado. O acordo entre Lorentzen e Votorantim foi adiado por causa das perdas da Aracruz com derivativos e das mudanças no cenário econômico mundial, que fizeram ações preferenciais de classe B da Aracruz caírem abaixo de R$ 2,00 - estavam acima de R$ 10,00 no início de agosto, quando o acordo foi anunciado. O acordo inicial determinava o pagamento de uma quantia bilionária aos Lorentzen, valor que deverá mudar após os acontecimentos dos últimos meses. Já o segundo acordo previa uma relação de troca de ações de VCP e Aracruz para que Safra e Votorantim tivessem condição igualitária de controle sobre a holding que comandaria a maior fabricante de celulose branqueada de eucalipto do mundo. A ação contra Zagury deverá se arrastar por mais de cinco anos, segundo Avvad. O advogado contratado pela Aracruz para defender Zagury, José Carlos Osorio, foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.

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