Aracruz fará investimentos de US$ 2,6 bi no RS

Boa parte dos recursos irá para expansão da fábrica de celulose, que será uma das maiores do mundo

Wálmaro Paz, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

O presidente da Aracruz Celulose, Carlos Aguiar, e a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciaram ontem a ampliação dos investimentos da companhia no Estado, para US$ 2,6 bilhões. O dinheiro será destinado principalmente à expansão da fábrica de Guaíba, cuja ampliação está prevista para entrar em funcionamento em agosto de 2010. A unidade se tornará uma das maiores fábricas de celulose do mundo, com capacidade de 1,8 milhão de toneladas/ano de celulose branqueada (usada para diversos fins, inclusive papéis para imprimir e escrever, papéis especiais e papéis sanitários). Hoje a produção é quatro vezes menor.Com esse salto, a fábrica do Rio Grande do Sul será responsável por 36% da produção nacional da Aracruz. A companhia é a maior produtora de celulose branqueada do mundo. "Já temos a licença florestal e a licença industrial", disse Aguiar, durante solenidade no Palácio Piratini. A fábrica vai operar de forma integrada à linha de produção já existente. Segundo a empresa, o Rio Grande do Sul foi escolhido para receber o investimento pelas condições favoráveis de produtividade, de clima e das terras, além do ambiente propício ao empreendimento. Durante a construção da nova unidade, a empresa deve criar até 7 mil empregos diretos. Segundo a Aracruz, um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que o projeto pode gerar mais de 50 mil postos de trabalho - entre diretos e indiretos - até o fim das obras, que terão terão início no segundo semestre deste ano.FLORESTAAlém da fábrica, a Aracruz fará investimento de US$ 600 milhões para a expansão da base florestal. Nos próximos dez anos, serão plantados 120 mil hectares de eucaliptos e 20 mil hectares de reservas nativas. Isso é mais do que o dobro da área atual, que é de 110 mil hectares. Quase metade do investimento florestal, que inclui a aquisição de terras, infra-estrutura e silvicultura, já foi realizado. A implantação de um sistema logístico, que fará ressurgir a navegação pluvial do Estado, também será desenvolvido nos próximos meses. Ele inclui a utilização do rio Jacuí, para o transporte de madeira, e da Lagoa dos Patos, para o transporte de celulose. HIDROVIASCerca de 50% da matéria-prima da unidade chegará ao local por hidrovias. Para cumprir essa meta, a Aracruz terá de construir três terminais fluviais - em Guaíba (onde está a fábrica), Rio Pardo e Cachoeira do Sul. O escoamento da celulose será feito pela Lagoa dos Patos até um terminal marítimo que deverá ser erguido em São José do Norte, em frente ao porto do Rio Grande.A maior parte da produção será destinada ao continente asiático e será escoada pelo novo terminal. O investimento em infra-estrutura e logística chegará a US$ 170 milhões, segundo a empresa. Além do tratamento terciário junto à nova indústria para evitar a poluição das águas do Rio Guaíba, o projeto leva em consideração o conceito de fábrica de mínimo impacto. Nela, as tecnologias são aplicadas no processo integral e têm como característica principal produzir mais com menos insumos químicos. O investimento em preservação ambiental ficará em torno de US$ 15 milhões, dinheiro que será aplicado em área do bioma do Pampa. A governadora Yeda Crusius ressaltou que o Estado "não deu nem dará nenhum incentivo fiscal para a empresa". Segundo ela, o investimento é de uma vez e meia o feito pela General Motors no Rio Grande do Sul em 1999. NÚMEROS450 mil toneladasde celulose por ano é a produção atual da Aracruz no Rio Grande do Sul1,8 milhão de toneladasserá a capacidade de produção da unidade de Guaíba até o fim das obras36% é quantoa unidade gaúcha vai representar da produção nacional da Aracruz250 mil hectaresserá a área de plantio de eucaliptos e de reserva dentro de dez anos. Hoje a área na região é de 110 mil hectares7 mil empregosdiretos devem ser criados com o projeto

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