Aracruz garante lucro com celulose

A alta no preço da celulose continua impulsionando o resultado da Aracruz. A empresa apurou lucro líquido de R$ 332,216 milhões nos primeiros nove meses do ano, revertendo o prejuízo de R$ 69,166 milhões no mesmo período de 1999. O faturamento líquido da empresa subiu 47,45%, chegando a R$ 983,453 milhões no acumulado até setembro.O diretor financeiro da companhia, Agílio Macedo, atribuiu o resultado ao aumento da celulose. O preço líquido médio da celulose foi de US$ 564,00 por tonelada no período em questão - 40% maior do que o negociado em 1999, de US$ 402,00 por tonelada. O diretor afirmou que o resultado do ano deve manter o desempenho do terceiro trimestre.Nas projeções de Macedo, o preço internacional da celulose tende a permanecer nos níveis atuais, de US$ 690,00 por tonelada, pelos próximos seis meses. Para ele, a demanda deve continuar aquecida e a oferta limitada, garantindo o preço da commodity. Ele ressaltou, entretanto, que a trajetória de alta que vinha se desenhando desde 1999 já se estabilizou. O único risco de uma alteração no cenário de demanda acentuada é em função do futuro do petróleo. Caso a alta do produto pressione as economias mundiais, pode haver uma recessão que resultará na diminuição da procura pela celulose.Outra conseqüência do aumento no preço da celulose é a melhora na geração de caixa da empresa e a diminuição da dívida, comentou Macedo. No fim do ano passado, a dívida da companhia somava R$ 650 milhões e no final de setembro havia caído para R$ 303 milhões.InvestimentosA Aracruz oficializou na semana passada a compra de 45% do capital da Veracel, em parceria com a multinacional Stora Enso, por US$ 81 milhões. Além disso, a empresa também contará até julho de 2002 com mais uma linha de produção com capacidade de 780 mil toneladas anuais. O projeto absorverá cerca de US$ 800 milhões. Deste total, US$ 390 milhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). Macedo afirmou que a Aracruz mantém o interesse na compra da Bahia Sul e Cenibra, ativos da Companhia Vale do Rio Doce à venda. A Aracruz apresentará sua proposta para a Vale até o fim do mês. O diretor explicou que esse interesse está vinculado ao preço que esses ativos podem atingir, pois deverão ser valorizados.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2000 | 18h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.