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Araraquara quer se tornar pólo de tecnologia

Cidade do interior de São Paulo começa a atrair empresas de software e serviços de TI

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

A cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, quer crescer no setor de software e serviços de tecnologia da informações, tornando-se menos dependente do agronegócio. A prefeitura iniciou, em 2004, um programa de atração de empresas do setor, oferecendo um pacote de benefícios tributários, e, no ano seguinte, atraiu para a cidade um dos três centros brasileiros da desenvolvimento de software da americana EDS, que hoje pertence à HP. Atualmente, a cidade tem 13 empresas de software, que empregam cerca de 1,1 mil pessoas."A idéia é termos de duas a três vezes esse total em dois anos", afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Araraquara, Alexandre Kopanakis. "Nessa região, predomina a agroindústria, com as culturas de cana-de-açúcar e de laranja. Sentimos a necessidade de diversificar a atividade econômica." Segundo Kopanakis, a estratégia adotada foi criar programas de treinamento e capacitação, para dar suporte às empresas atraídas pelos incentivos tributários.A Cast Informática, uma empresa criada em Brasília em 1990, inaugurou uma fábrica de software em Araraquara no ano passado, com investimento de R$ 2 milhões. Recentemente, a empresa passou de 100 para 200 funcionários na cidade. A previsão da Cast é ter 500 funcionários em Araraquara em três anos.Segundo José Calazans da Rocha, presidente da Cast, foram analisadas várias características da cidade antes de a empresa tomar a decisão de instalar seu centro de desenvolvimento lá. Mas um fator preponderante nesse setor é a disponibilidade de profissionais. Araraquara está próxima de São Carlos, que conta com uma universidade federal e um campus da Universidade de São Paulo (USP). A cidade também está recebendo um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). "O maior patrimônio das empresas de software são as pessoas", disse o presidente da Cast. A empresa está contratando como programadores jovens que cursam o ensino médio. "Um jovem de 16 anos tem muita facilidade de aprender programação e, com o emprego, consegue pagar sua faculdade."Em cidades como São Paulo e Campinas, que têm uma indústria de tecnologia mais madura, as empresas muitas vezes têm dificuldade de contratar profissionais e, principalmente, de mantê-los. Isso não acontece em novos centros. "Nossa equipe de Araraquara é bastante estável", disse Célio Bozola, presidente da EDS Brasil. A empresa tem 300 funcionários na cidade, todos em desenvolvimento de software.A empresa participa, na cidade, do Plano Setorial de Qualificação Software (Planseq), que reúne empresas, prefeitura e Ministério do Trabalho. A primeira turma foi formada em fevereiro de 2007, com 122 alunos, que tiveram aula de programação e inglês técnico. A EDS contribuiu para elaborar o processo seletivo e o conteúdo do curso.O mercado brasileiro de TI movimentou US$ 20,6 bilhões em 2007, segundo a consultoria IDC. Este ano, o Brasil deve exportar de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão em software e serviços de TI, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). "Precisamos de mais cidades como Araraquara, onde existe empreendedorismo do poder público", afirmou Djalma Petit, diretor de mercado da Softex, associação de software.

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