Adriano Machado/Reuters
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Araújo diz que França 'visa público interno' ao dizer que não está pronta para ratificar acordo

Ministro das Relações Exteriores rebateu fala da porta-voz francesa de que o país não estaria preparado para ratificar acordo Mercosul-UE

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 12h14

BRASÍLIA - Para o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a porta-voz do governo francês mirou "seu público interno" ao dizer que a França ainda não está pronta para assinar o acordo entre Mercosul e União Europeia. "Nada do que está no acordo é supresa aos Estados-membros da União Europeia", afirmou nesta terça-feira, durante coletiva de imprensa em Brasília

A porta-voz francesa Sibeth Ndiaye disse que seu país irá "observar com atenção" e decidir se irá refernedar o tratado "com base nestes detalhes". O chanceler brasileiro disse que, como o texto final ainda passou por revisão jurídica, nenhum país signatário está pronto para ratificá-lo.

O ministro demonstrou ainda incômodo com a postura dos europeus de colocar os compromissos ambientais como uma obrigação somente do Brasil. O ministro do Meio Ambiente francês, François de Rugy, afirmou, também nesta terça, 2, que o acordo Mercosul e União Europeia só será ratificado pela França se o Brasil respeitar seus compromissos, referindo-se ao combate ao desmatamento na Amazônia.

Segundo Araújo, há muitos méritos na política ambiental do Brasil "seja na Amazônia ou em outros biomas"e o País tem "total compromisso" contra o desmatamento. "Esse tema se coloca como se fosse apenas de interesse europeu, mas é de interessante nosso também. Muitos países europeus têm uso de agrotóxico por hectare maior que o do Brasil", disse Araújo.

"Também esperamos ver implementados, inclusive, os compromissos deles, que são os países desenvolvidos, como desembolsos de recursos para financiamento de energias renováveis", completou.  Segundo o ministro, cabe à Comissão Europeia esclarecer ao governo francês que esses compromissos internacionais estão previstos no acordo e que o Brasil e os demais membros do Mercosul concordaram em segui-los.

O chanceler disse que não espera que haja atrasos significativos na ratificação do acordo na Europa, já que haverá pressão também por parte dos setores que irão se favorecer com o acordo.

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