Área da Boi Gordo do tamanho da cidade de São Paulo será vendida para pagar credores

Área da Boi Gordo do tamanho da cidade de São Paulo será vendida para pagar credores

Duas fazendas avaliadas em R$ 400 milhões com mata fechada, pasto e plantação de grãos são as mais valiosas do espólio da pirâmide financeira

Mariana Goulart Hueb, Especial para O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2014 | 12h49


SÃO PAULO - As fazendas Realeza do Guaporé I e II, no estado do Mato Grosso, avaliadas em R$400 milhões, vão a leilão no dia 15 de dezembro. A área pertence à massa falida da Boi Gordo e é o imóvel mais valioso do espólio. 

A empresa Fazendas Reunidas Boi Gordo protagonizou um dos esquemas de pirâmide mais emblemáticos do país, lesando cerca de 30 mil pessoas.

Nos anos 90 a empresa vendia certificados de investimento em gado, prometendo um retorno de 42% em 18 meses. No entanto, a Boi Gordo começou a pagar os contratos vencidos com recursos de novos investidores. 

O dinheiro arrecadado nos leilões será usados para pagar os credores que até hoje não receberam o dinheiro de volta. Entre os milhares de investidores estão alguns famosos, como o técnico Luiz Felipe Scolari, o jogador de futebol Vampeta, a atriz Marisa Orth e o cantor Erasmo Carlos. 

Localizada em Comodoro, próximo à divisa com a Bolívia, a fazenda tem aproximadamente 130 mil hectares. Para facilitar a venda, a área foi dividida em nove lotes de tamanhos e características diferentes. Segundo Gustavo Sauer, síndico da massa falida e advogado nomeado pelo juiz para conduzir o processo de falência, essa divisão deve atrair mais interessados e a expectativa com a venda é grande.

“Até agora em todos os seis leilões realizados, nenhuma propriedade foi vendida por valor abaixo da avaliação”, diz. Ele afirma ainda que se a fazenda for arrematada pelo preço avaliado, vai superar a arrecadação total dos outros leilões.

Atualmente, a massa falida tem em caixa cerca de R$180 milhões, provenientes da venda de outros imóveis rurais. Obedecendo a lei federal de falências, os primeiros a serem pagos serão os credores trabalhistas. Em dezembro, 155 pessoas, entre funcionários e corretores da Boi Gordo, deverão receber um total de R$70 milhões. Outros R$50 milhões serão usados para pagar a dívida fiscal.

O maior passivo, de cerca de R$ 3,6 bilhões, corresponde aos investidores que acreditaram na pirâmide financeira.

“O pagamento desse grupo depende do sucesso do leilão da Fazenda Realeza. Com esse dinheiro começarão os pagamentos parciais”, explica Sauer. Ele reforça que os valores que serão pagos correspondem ao que cada pessoa investiu, sem considerar os rendimentos prometidos com a compra dos certificados.

Pirâmide. Criada em 1988, pelo empresário Paulo Roberto Andrade, a Boi Gordo prometia altos rendimentos através da venda de Certificados de Investimentos Coletivos (CICs). 

O dinheiro dos CICs seria aplicado na engorda de bois criados nas várias fazendas do grupo. A média de aplicações por investidor chegava a R$ 20 mil e a expectativa era de 30% de lucro. Entretanto, o dinheiro que deveria ser usado com o gado foi desviado para outros negócios e o esquema começou a desmoronar.

Há 13 anos a empresa pediu concordata no Mato Grosso. Andrade vendeu os ativos e passivos da Boi Gordo para o Grupo Golin. Desde 2004 o Ministério Público e a massa falida investigam o desvio internacional de bens, dinheiro e gado da Boi Gordo.

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