Área técnica da CVM obriga oferta pelas ações da Arcelor Brasil

A visita do bilionário indiano Lakshmi Mittal ao Brasil, na semana passada, não rendeu os frutos esperados. Apesar dos esforços do executivo, que controla a gigante siderúrgica Arcelor Mittal, a área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manteve a obrigatoriedade de uma oferta pública pelas ações da subsidiária, a Arcelor Brasil. A operação pode encarecer em cerca de US$ 5 bilhões a fusão entre a Mittal Steel e Arcelor. A decisão da área técnica joga a questão no colo do colegiado da CVM, que dará a palavra final sobre o caso. Em sua passagem no Brasil, o bilionário indiano fez questão de apresentar seus argumentos diretamente ao presidente da CVM, Marcelo Trindade. Na época, ele afirmou estar confiante em uma solução favorável para a Mittal."Apresentamos argumentos muito fortes. (....) Estamos bem assessorados pelos nossos advogados e temos um recurso consistente.", disse ao deixar o prédio da autarquia no Rio de Janeiro. Os técnicos da CVM argumentam que o estatuto da Arcelor Brasil determina uma oferta pública sempre que houver mudança no controle da holding no exterior. Já a Mittal insiste que não tem a obrigação de fazer uma oferta pelas ações da Arcelor no Brasil, contestando parecer dos reguladores brasileiros. Em comunicado, a maior siderúrgica do mundo alega que a operação foi uma fusão e não uma compra de controle, caso em que a oferta aos minoritários seria necessária. "Nossos consultores nos reafirmaram a avaliação de que não é necessário fazer uma oferta para os minoritários da Arcelor Brasil porque não houve uma mudança efetiva de controle na Arcelor", diz. A expectativa é de que a CVM seja mais ágil neste do que foi no caso Pão de Açúcar, que também culminou com a obrigatoriedade de oferta para o Grupo francês Casino. Nesta terça-feira, o colegiado do órgão se reuniu e escolheu o diretor Wladimir Castelo Branco como relator do recurso apresentado pela Mittal Steel. Os papéis da Arcelor Brasil começaram a disparar logo que a decisão da área técnica da CVM veio à tona. As ações fecharam em alta 3,6% na Bovespa. Segundo fontes, a principal preocupação hoje é com o peso das ações da siderúrgica no pregão paulista. Na época, praticamente não existiam ações do Pão de Açúcar em circulação no mercado, enquanto os papéis da Arcelor são muito negociados no pregão paulista.

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