Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Área técnica do Cade vê concentração em fusão de Localiza e Unidas e tribunal analisará negócio

Superintendência-geral do conselho destacou que negócio, que une a líder e a vice-líder do setor de locação de automóveis no País, leva a uma concentração de mercado entre 60% e 70%

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 10h32

BRASÍLIA - A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avaliou que a compra da Unidas pela Localiza resulta em concentração elevada de mercado e necessita de análise mais aprofundada pelo conselho. De acordo com despacho publicado no Diário Oficial da União, a superintendência declarou o negócio “complexo”, o que significa que a operação irá para análise do tribunal do Cade, composto por seis conselheiros e o presidente. Em setembro de 2020, logo após o anúncio do negócio, o Estadão/Broadcast antecipou que a operação poderia enfrentar problemas no Cade.

A superintendência-geral é a responsável pela análise inicial de todas as fusões e aquisições apresentadas ao Cade. Quando entende que o negócio não apresenta risco concorrencial, a própria superintendência pode aprovar a operação, sem submetê-la ao tribunal. Quando há suspeita de concentração de mercado elevada, como na fusão das locadoras de automóveis, a superintendência envia a operação para a análise do tribunal, que dará a palavra final.

Em nota técnica sobre o negócio, a superintendência afirma que a análise até o momento aponta que a operação “resulta em concentrações elevadas nos mercados de aluguel de veículos, tanto sob a ótica nacional como na maioria dos municípios e aeroportos em que ambas as empresas atuam, e de gestão de frotas no âmbito nacional”. A superintendência destacou que se trata da líder de mercado (Localiza) adquirindo a vice-líder (Unidas) e que a operação leva a uma concentração de mercado entre 60% e 70%.

De acordo com a nota, concorrentes consultados levantaram preocupações sobre questões como possível aumento do poder de barganha na aquisição de veículos novos pela Localiza e Unidas e baixa probabilidade de entrada de novos competidores no mercado de locação de veículos e gestão de frotas.

“Diante dos pontos de atenção mencionados, esta SG (superintendência-geral) reputa ser necessário realizar novas diligências, de forma a aprofundar a análise do caso, bem como entender se tais preocupações causam efetivamente prejuízo à concorrência ou se algumas delas podem ser consideradas eficiências”, completou.

Fundada pelo ex-secretário de Desestatizações do Ministério da Economia, Salim Mattar, a Localiza anunciou a fusão com a Unidas em setembro do ano passado, o que criaria uma empresa com valor de mercado consolidado de R$ 48 bilhões.

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