Arezzo estuda marca 'popular'

Empresa quer ganhar mercado na classe C

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h04

A rede Arezzo, que atua no setor de calçados, bolsas e acessórios femininos com as marcas Arezzo, Schutz, Alexandre Birman e Anacapri, está atenta a oportunidades de aquisição de empresas focadas em classes populares e estuda a possibilidade de criar uma rede com uma marca destinada ao público masculino.

A empresa, que teve a oferta inicial de ações (IPO) mais bem-sucedida do ano na bolsa brasileira e fatura cerca de R$ 700 milhões ao ano, concentra suas estratégias de expansão no mercado interno, após algumas experiências malsucedidas na tentativa de disputar mercados internacionais.

"Buscamos novas marcas (para aquisição) que possam ser rentáveis, inclusive na classe C, porque é o consumidor que mais cresce. Queremos atuar em toda a pirâmide social", afirmou o presidente da companhia, Anderson Birman, após participar, em São Paulo, do Fórum de Varejo da América Latina.

Birman destacou que a empresa pretende crescer no mercado masculino, mas que encontra dificuldades em encontrar oportunidades de aquisição nesse segmento. "Isso é uma possibilidade", disse. Ele explicou que as redes atualmente no mercado não têm escala de venda e que se "adapte" ao modelo da Arezzo. A intenção seria criar um formato semelhante ao da marca principal, mas para os homens.

O executivo ressaltou ainda que a empresa vai "ampliar esforços" com a marca Anacapri, pela expansão de lojas e campanha mais incisivas na mídia, para o fim deste ano. "Vamos começar a mostrar mais a 'cara' da Anacapri. Estamos trabalhando internamente para fortalecer a marca, com várias ações coordenadas", afirmou. Segundo ele, essa rede, especializada na venda de sapatilhas, sem salto, tem hoje apenas seis lojas, todas localizadas em São Paulo.

De acordo com Birman, a empresa encerrou, recentemente, as negociações para a compra da rede varejista de calçados e acessórios femininos Santa Lolla porque o "preço aumentou", além de a negociação ter enfrentado outras dificuldades. Ele informou que a Arezzo já estudava a compra da Santa Lolla antes mesmo da abertura de capital.

Exterior. De acordo com Birman, a parceria da Arezzo na China foi revista, sobretudo após a criação da tarifa antidumping imposta ao calçado chinês que ingressa no Brasil. Isso porque a parceria com os chineses da Prime Sucess previa um desenvolvimento de produtos para os dois mercados. "Saímos da China há um ano, por todos esses problemas de relações internacionais. Mas um dia podemos voltar a nos interessar por esse mercado."

Além disso, a empresa encontrou até problemas culturais no plano de vender calçados para o consumidor chinês. "Vimos que seria um trabalho 'leonino' ingressar na China", disse. O plano inicial da empresa era ter 300 lojas no país asiático até 2016.

O executivo destacou ainda que outros mercados internacionais nos quais atua, como Venezuela, Portugal, Bolívia e Uruguai, não são considerados prioritários neste momento. "Desde 2008, focamos no mercado interno", disse. Nos seis primeiros meses deste ano, a receita da Arezzo no exterior recuou 14,4% em comparação com o mesmo período do ano passado. / R.P.

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