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Arezzo vai abrir 300 lojas na China

Empresa fará parceria com o grupo chinês Prime Success e sapatos vão disputar o mercado de luxo no país

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2030 | 00h00

O fundador da Arezzo, Anderson Birman, desembarca hoje em Las Vegas para acertar os últimos detalhes de um projeto ambicioso em parceria com o grupo chinês Prime Success: a abertura de 300 lojas de sapatos na China até 2016. O que Birman levou mais de três décadas para construir no Brasil pode ter em apenas dez anos na China. Até lá, a rede Arezzo, especializada em calçados femininos, pode faturar na China US$ 150 milhões, quase o mesmo que as 212 lojas brasileiras. A meta da parceria é fechar este ano já com cinco pontos-de-venda - dois seriam abertos em novembro e três em dezembro.A Arezzo vai estrear na China com marca própria e em grande estilo. Um par de sapatos custará, em média, US$ 160, valor acima do preço médio cobrado pelos produtos no Brasil. Seus calçados serão top de linha dentro do portfólio das marcas da Prime Success, uma das maiores empresas de calçados daquele país. "Não vamos vender sapato, mas marca, design, conceito e serviço", diz Birman, presidente da empresa. Criada em Hong Kong no final da década de 80, a Prime Success é um gigante com mais de 3 mil lojas na China e capital aberto desde 1995. Além de duas marcas próprias (Daphne, de calçados femininos, e a popular Shoebox, que vende um par de sapatos a US$ 10), a empresa tem a distribuição exclusiva da Adidas na China e fabrica sapatos para dezenas de varejistas mundo afora, como as americanas Wal-Mart e JC Penney. No ano passado, seu faturamento foi de quase US$ 400 milhões. NEGOCIAÇÃOAs conversas entre as duas empresas começaram há exatamente um ano, na mesma feira de calçados de Las Vegas. "Eles viram os nossos produtos, gostaram e, assim que a feira acabou, vieram ao Brasil para conhecer as lojas e as fábricas que produzem para nós", conta o diretor-comercial de franquias da Arezzo, Marcio Goldberg. A carta de intenções entre as partes foi assinada em outubro, durante encontro da Prime Success em Shangai. O investimento para a abertura de lojas ficará a cargo da empresa chinesa. Trata-se de uma operação típica de franquia. A Arezzo entrará com os sapatos, o treinamento de vendedores e o conceito de vender sapato, bolsas e acessórios no mesmo lugar. As lojas Arezzo na China terão a mesma configuração das brasileiras e portuguesas - no começo deste ano, a grife brasileira abriu sua primeira franquia em Lisboa. Segundo Goldberg, os sapatos, pelo menos nos dois primeiros anos, serão produzidos no Brasil. "Depois disso, é possível que a China também produza, até para as empresas melhorarem suas margens. Se isso acontecer, a Prime Success não poderá usar mão-de-obra infantil nem escrava", diz Goldberg.GLOBALIZAÇÃOA estréia na China é um passo importante para a globalização da marca, que hoje está no foco da grife brasileira. A Arezzo tem atualmente 11 lojas fora do Brasil (Arábia Saudita, Venezuela, Paraguai e Portugal) e vende sapatos com sua marca para 19 países. Em Las Vegas, a empresa também espera fechar parcerias para abertura de franquias no México, na África do Sul e na Turquia. "Estamos no caminho contrário. Enquanto o mundo está preocupado com a ameaça dos produtos chineses, estamos mandando nosso produto para lá, com posicionamento premium", diz Goldberg. O avanço dos sapatos chineses em todo o mundo deflagrou uma crise sem precedentes no setor de calçados brasileiro, comprometendo principalmente os exportadores. Hoje, a China já exporta pelo menos dez vezes mais do que o Brasil, terceiro maior produtor mundial de calçados. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) calcula que 30 mil empregos foram eliminados e 60 fábricas foram fechadas no Brasil desde 2004."A China passou a ser a grande fábrica do mundo. A forma que temos para fugir dessa ameaça é fazendo produtos que se destaquem pelo design e pelo conforto", diz o consultor de inteligência comercial da Abicalçados, Ênio Klein. "Construir uma marca é um processo lento, mas fundamental para vencer tanto lá fora como aqui dentro." Segundo Klein, a Arezzo está entre as empresas brasileiras que souberam se reinventar a tempo. A criação é hoje o ponto mais bem resolvido dentro da grife. Desde que a empresa terceirizou toda a sua produção, há três anos, o desenvolvimento de produtos passou a ser o coração do negócio. "Ela deixou de ser uma indústria para se tornar uma empresa focada em criação e marketing", diz Klein. O nome Arezzo já é um bom começo. É fácil de pronunciar (inclusive pelos orientais) e pode ser confundido com uma marca da Itália, país famoso pelos sapatos finos.

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