Denis Ferreira Netto/Estadão
Denis Ferreira Netto/Estadão

Arezzo vê negócio de brechós se expandir e quer aumentar sinergia com o grupo

Marca Troc cresce 720% em um ano e faz parte de um mercado que pode chegar a US$ 64 bi em 2024

André Jankavski, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2021 | 05h00

O mercado de segunda mão é uma grande aposta do setor de moda. Tanto pelo lado da sustentabilidade, já que o segmento é um dos que mais poluem no mundo, quanto pelos bilhões que podem movimentar em um futuro não tão distante. E a Arezzo quer potencializar esse negócio. No fim do ano passado, a companhia comprou o brechó virtual Troc, focado em clientes de alto padrão. Doze meses depois da aquisição, a companhia traça planos para garantir que a economia circular seja realidade em todas as suas marcas.

Não que a Troc tenha ficado parada nesse período. Ao contrário. A empresa, que tinha vendas na ordem de R$ 10 milhões na época da transação, cresceu 720% segundo a fundadora e presidente da marca, Luanna Domakoski. O número de funcionários também subiu de 26 para 114 nesse último ano. 

Trata-se de um filão que tem despertado a atenção de várias empresas. A maior delas é a americana thredUP, que fez a sua abertura de capital em março deste ano na Bolsa de Nova York. Um estudo realizado pela empresa aponta que esse mercado vai saltar de US$ 24 bilhões para US$ 64 bilhões em 2024. Por enquanto, os investidores estão se mostrando um tanto quanto receosos com essas informações: a empresa registra uma queda de 3% em suas ações desde a estreia.

‘Premium’

Para se tornar uma das grandes desse mercado, a Troc aposta no segmento de alta renda, que tem consumidoras com muitas roupas paradas no guarda-roupa e que não querem ter trabalho pensando em vendê-las. No modelo da Troc, o único trabalho que a cliente tem é entrar em contato, cadastrar as peças e solicitar a coleta. Essa facilidade, no entanto, tem um custo: a comissão da companhia vai de 30%, para os itens acima de R$ 3 mil, até 60%, para as peças que custam até R$ 250. O tíquete médio é de R$ 360.

“Mesmo trabalhando com comissões altas, trazemos o melhor serviço para a cliente. Cuidamos de toda a logística, das fotos de divulgação e do atendimento às interessadas. É uma experiência que a cliente preza muito”, diz Luanna.

Por enquanto, a Troc só trabalha com roupas femininas, mas há a intenção de vender para homens no futuro. Ao mesmo tempo, a companhia está em busca de mais sinergia com as marcas da Arezzo&Co. No futuro, a ideia é que várias unidades das lojas da companhia tenham um espaço para que os clientes possam realizar as entregas das roupas.

Por enquanto, foi feito um piloto com uma loja temporária em Curitiba. Mas, para potencializar essa troca, a empresa começou a entregar sacolas para as clientes, chamadas de “Trocbag”. Serão 500 mil unidades entregues nos próximos meses, e algumas poderão ser deixadas em lojas da Arezzo.

No vermelho

Apesar do crescimento e do investimento, o negócio ainda não é lucrativo. De acordo com o diretor financeiro da Arezzo&Co, Rafael Sachete, o movimento, por enquanto, ainda é mais para o lado da sustentabilidade. Ou seja, se tornará rentável somente com escala. “Ainda é um negócio pequeno e estamos pensando na experiência do cliente em um primeiro momento.” 

O mercado de usados já estreou na Bolsa brasileira – e não sem percalços: concorrente da Troc, a Enjoei abriu seu capital em novembro de 2020. Ao contrário da marca da Arezzo, a Enjoei é uma plataforma que incentiva as clientes a vender as roupas diretamente. Desta maneira, a empresa alcançou 898 mil vendedores ativos no segundo trimestre deste ano, acréscimo de 215 mil no período. A empresa intermediou R$ 206 milhões de vendas e faturou R$ 26,5 milhões, o dobro do visto no mesmo período do ano passado.

Porém, esses números não vêm agradando aos investidores. Desde o IPO, a empresa perdeu 55% do seu valor de mercado. Mesmo assim, analistas apontam que o futuro da empresa e do próprio setor é promissor. “O fator macro e a aversão ao risco têm impactado empresas como a Enjoei. Mas vejo que se trata de um modelo que endereça bem aos consumidores, e as gerações mais novas estão mais abertas a esse tipo de negócio”, afirma Danniela Eiger, uma das responsáveis pela área de análise da XP Investimentos.

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