Argélia sinaliza que poderá relaxar embargo à carne brasileira

O assessor da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Lino Luis Colsera, afirmou hoje que espera receber até a próxima quarta-feira, dia 30, uma resposta do governo da Argélia sobre a possível flexibilização das restrições comerciais à carne brasileira. Ele integrou missão comercial liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que esteve entre os dias 19 e 22 na Argélia. Nas reuniões, representantes do governo argelino sinalizaram que poderiam restringir o embargo às carnes fornecidas pelo Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, critério adotado pela União Européia. Hoje, o embargo vale para todo o País, conseqüência dos focos de febre aftosa no rebanho do Mato Grosso do Sul. "A Argélia não tem regras fitossanitárias definidas e costuma seguir as normas estabelecidas pela União Européia", afirmou o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mário Mugnaini, que integrou a missão. Para Colsera, o embargo pode ficar limitado às áreas com incidência da doença, no extremo sul do Mato Grosso do Sul, nos municípios de Eldorado, Japorã, Mundo Novo, Iguatemi e Itaquiraí. Tentativa de entendimento A missão brasileira se reuniu com o diretor do Serviço Veterinário do Ministério da Agricultura da Argélia, Rachid Bouguedour. Uma decisão dependeria do ministro encarregado do assunto. A Argélia é o quarto maior importador de carne bovina brasileira, atrás da União Européia, Rússia, Egito e Chile. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques para o país cresceram 105,4%, somando US$ 74,9 milhões. Os embarques de carne bovina representam 23,7% da pauta de exportação do País para a Nigéria. O produto é o segundo item na pauta de exportação para a Nigéria. Colsera contou que, nas reuniões, foram apresentados dados sobre a situação da aftosa no País, além de relatórios enumerando as medidas tomadas para conter os 25 focos. "Nós enfatizamos que os casos estão concentrados numa região isolada e que não havia motivo para restringir as compras de todo o País", disse o representante do Ministério da Agricultura. Questionamento A decisão da Argentina e da Ucrânia de ampliar as restrições à carne fornecida pelo Brasil é uma "barreira sanitária sem fundamento técnico", avaliou o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. A Argentina ampliou as restrições para o Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais. Inicialmente, a restrição valia para as importações de animais, carnes, produtos derivados e subprodutos frescos de animais susceptíveis à febre aftosa apenas dos cincos municípios sul-mato-grossenses interditados. "É um absurdo que a Argentina suspenda as compras de Santa Catarina, que, pela classificação da OIE tem classificação sanitária melhor", afirmou Nogueira, referindo à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Ele admitiu que a indefinição sobre a situação sanitária do Paraná também pode ter influenciado a decisão. O Ministério da Agricultura investiga, desde o dia 21 de outubro, suspeita de focos de aftosa em quatro municípios do Paraná. "É claro que os países estão usando a indefinição para ampliar o embargo", disse Nogueira.

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