Argentina aceita discutir imposto de exportação de grãos

O governo argentino reconheceu que existem problemas no esquema de cobrança de impostos de exportações (retenções) com alíquotas variáveis para o setor agropecuário, informou o presidente da Federação Agrária da Argentina, Eduardo Buzzi. "De concreto, o que podemos dizer é que conseguimos incluir a discussão das retenções na mesa de negociação e o chefe de gabinete (da Presidência, Alberto Fernández) admite que as retenções são um problema que o governo está disposto a modificar", afirmou Buzzi ao deixar a reunião entre as entidades rurais e Fernández.Depois de quase cinco horas de reunião, Buzzi disse que "o governo reconheceu que há erros nas retenções móveis (alíquotas que variam de acordo com os preços internacionais)". Para ele, foi um avanço, já que até sexta-feira passada o governo não aceitava incluir as retenções na discussão. "Isso implica que as retenções serão parte da agenda de muitos temas e amanhã se concretizará uma aspiração dos agricultores de manter uma reunião com a presidente do Banco de La Nación, para discutir o problema das dívidas de muitos agricultores pequenos".Além disso, haverá uma reunião, também pela manhã, com o secretário de Agricultura, Jávier de Urzquiza, para discutir o porcentual da alíquota das retenções que o governo está disposto a ceder. Às 15 horas, as quatro entidades ruralistas (Sociedade Rural-SRA, Coninagro, Federação Agrária -FAA e Confederações Agrárias-CRA) vão se reunir para avaliar as reuniões que serão realizadas pela manhã e tomar uma decisão sobre a retomada ou não do locaute agropecuário. "Amanhã vamos discutir quanto e como se modificarão as retenções e, enquanto isso, no interior, os agricultores deverão permanecer tal qual estão: ao lado das rodovias, em estado de alerta para reiniciar os protestos em qualquer momento, porque não sabemos em que vai dar tudo isso", disse Buzzi em entrevista na saída da reunião. Para o presidente da CRA, Mario Llambias, "o governo está demorando demais para apresentar suas propostas e negociar toda a situação e isso coloca em dúvidas sua real vocação de chegar a um acordo".

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