Argentina acusa Petrobrás de manipular preço

BUENOS AIRES

, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, disse que o governo argentino vai forçar as unidades locais da anglo-holandesa Shell e da brasileira Petrobrás a aumentarem sua produção de combustível. Segundo ele, as duas empresas reduziram intencionalmente a produção, para criar uma escassez de oferta e forçar os preços para cima. "Por causa disso, o Estado vai intervir para assegurar que essas refinarias operem à capacidade máxima", afirmou o ministro.

De Vido também disse que o governo "vai regular as exportações de combustível, se necessário, para assegurar que o mercado local esteja adequadamente abastecido". Ele afirmou ainda que vai exprimir essa insatisfação a funcionários da Embaixada do Brasil, porque a Petrobrás estaria agindo "sem ética".

Ontem, a YPF, subsidiária argentina da espanhola Repsol YPF, havia anunciado que importará 50 milhões de litros de gasolina dos EUA na próxima semana, para compensar a escassez de oferta no mercado local. "Nossas refinarias estão operando a 100% da capacidade", disse um funcionário da YPF. Segundo ele, as refinarias da Petrobrás na Argentina estão operando 24% abaixo da capacidade. "Houve uma decisão clara de desinvestir em venda de combustíveis na Argentina", acrescentou.

Porta-vozes da Shell e da Petrobrás não quiseram comentar as acusações. Em 2005, quando controles governamentais informais mantinham o preço da gasolina artificialmente baixo na Argentina, a Shell elevou seus preços, levando o então presidente Nestor Kirchner a conclamar os argentinos a boicotarem os produtos da empresa. Kirchner chegou a ameaçar prender o presidente da Shell.

A relação entre o governo da Argentina e as empresas de petróleo que operam no País vem se deteriorando a cada dia. Assim como em 2006, o governo sinaliza com tabelamento de preços dos combustíveis, para evitar novas altas. As intervenções no mercado são apontadas por especialistas como motivos do desânimo das petroleiras com o país, que já foi um grande exportador de petróleo e hoje luta contra o declínio de sua produção. / DOW JONES NEWSWIRES

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