Argentina adia pagamento de dívida com Banco Mundial

O governo do presidente Eduardo Duhalde não pretende remover um centavo sequer das reservas internacionais do Banco Central para pagar amanhã uma dívida de US$ 250 milhões que possui com o Banco Mundial (BIRD) e que vence hoje. A mesma posição será tomada no próximo dia 15, quando o governo argentino teria que desembolsar US$ 809 milhões também para o Banco Mundial.Nas últimas semanas, o governo deixou claro que não pretende usar as reservas do BC para pagar estas dívidas. Se as utilizasse, correria o risco de criar novas turbulências nos mercados, e enfrentar uma nova disparada do dólar.No entanto, apesar de não pagar amanhã, a Argentina não entrará em processo de calote com os organismos financeiros internacionais, já que tem o direito de prorrogar o pagamento da dívida por maisum mês.Desta forma, o dia 9 de novembro é que será a data crucial, na qual o país poderia cair na moratória, já que o governo não pretende usar as esquálidas reservas do BC (autualmente em US$ 9,1 bilhões) para pagar.Em dezembro do ano passado, o governo do então presidente Adolfo Rodríguez Saá decretou o calote para os credores privados. No entanto, deixou de lado os organismos financeiros internacionais, aos quais o governo Duhalde pagou suas dívidas ao longo deste ano.A estratégia do governo é que a ameaça de calote sirva como elemento para pressionar o Fundo Monetário Internacional (FMI),com o qual está negociando - sem sucesso - desde março. Aintenção argentina é que o FMI aceite a assinatura de um acordonas próximas semanas, o que implicaria no adiamento de todas asdívidas pelo prazo de pelo menos um ano."Esperamos conseguir o acordo antes" do vencimento, admitiuo chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof.Se for à moratória, a Argentina ficaria ainda mais longe daspossibilidades atualmente remotas de obter crédito. Mas o paísnão seria o único atingido. O Banco Mundial e o BancoInteramericano de Desenvolvimento (BID) seriam amplamenteprejudicados, já que a dívida argentina constitui grande partedos créditos que os dois organismos financeiros forneceram nosúltimos anos. O total da dívida que a Argentina possui com oBIRD, o BID e o FMI chega a US$ 18 bilhões.

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