Argentina admite pedir até US$ 20 bi ao FMI

O ministro argentino da Economia, Jorge Remes Lenicov, admitiu que, nas negociações formais com o Fundo Monetário Internacional (FMI), deverá pedir uma ajuda de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões. "Vamos pedir um número que nos permita sair rapidamente do poço em que nos encontramos. Ainda não analisamos o montante exato", afirmou o ministro em entrevista a uma rádio de Buenos Aires. Uma equipe do FMI chegou a Buenos Aires ontem para avaliar as medidas econômicas do novo governo da Argentina aprovadas na noite de domingo. Segundo Lenicov, a missão "analisará temas pontuais da economia, por exemplo, como se pode reestruturar o sistema financeiro ou começar a ver cenários sobre crescimento da dívida. Mas não se trata de uma missão técnica". O chefe de Gabinete da Presidência, Jorge Capitanich, confirmou que o governo argentino iniciará negociações formais com o FMI dentro de 15 a 20 dias. Essa é a primeira missão do FMI na capital argentina desde que, em dezembro, a instituição negou US$ 1,26 bilhão ao governo do ex-presidente Fernando de la Rúa - pouco antes de sua renúncia, em meio a uma violenta convulsão social. Ainda ontem, os Estados Unidos pediram ao governo peronista que trabalhe com o Fundo e revelaram que estão examinado o plano econômico do presidente Eduardo Duhalde. OrçamentoFontes do Ministério da Economia informaram que a delegação que desembarcou ontem em Buenos Aires é integrada por "técnicos do segundo escalão que vão se reunir com alguns funcionários do governo". Segundo as mesmas fontes, não participa da visita o responsável pela Argentina no FMI, o chileno Tomás Reichmann. A mesma fonte acrescentou que a Argentina precisa terminar de esboçar o seu plano econômico e o orçamento para 2002 antes de discutir um apoio financeiro dos organismos financeiros internacionais. No domingo, Lenicov havia dito que o país daria início a uma renegociação de seus compromissos com o FMI e outros credores somente depois de ter aprovado seu orçamento. Segundo o ministro, a elaboração do projeto orçamentário, que incluirá um equilíbrio de despesas e receitas, ainda levará cerca de dez dias de análise. No dia anterior, Lenicov havia estimado que no início de fevereiro estaria em condições de viajar a Washington para reunir-se com o FMI. O presidente anterior, Adolfo Rodríguez Saá, que ficou por uma semana na Casa Rosada, declarou a moratória da dívida pública argentina de US$ 141 bilhões, o que foi ratificado pelo atual presidente Eduardo Duhalde.Leia o especial

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