Argentina ainda não fez o suficiente, diz Krueger

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou hoje que a Argentina ainda não tomou as medidas nem formulou as políticas necessárias para contar com sua assistência - mas demonstrou disposição para negociar um "acordo de transição" com o atual governo. A vice-diretora gerente do Fundo, Anne Krueger, que na semana passada criticou decisões recentes tomadas pelo Congresso argentino, dizendo que elas mostram "a falta de compromisso com um programa (de estabilização)", desta vez foi mais diplomática. "As autoridades da Argentina fizeram algumas das coisas que tornam possível um acordo. Continuamos a ter a esperança de que podemos resolver o resto (das pendências)", afirmou. Uma das maiores dificuldades práticas, segundo ela, é encontrar uma fórmula para acabar com o "corralito" dos depósitos bancários, adotado no final do ano passado pelo então ministro da Economia, Domingo Cavallo, para tentar salvar o regime da conversibilidade cambial. Krueger disse que o FMI e as autoridades argentinas "continuam a trabalhar e a tentar, mas ainda não estão lá". Ela afirmou que o envio uma missão negociadora do Fundo à Argentina "é certamente uma possibilidade", mas deixou claro que não há nenhuma certeza de que essas conversas produziriam um acordo, por conta das diferenças que ainda separam os dois lados. PossibilidadesA vice-diretora gerente do Fundo advertiu que o não pagamento pela Argentina de suas obrigações com a instituição e com os demais organizmos multilaterais de crédito tornaria um acordo mais difícil e custaria muito ao país, porque fecharia as únicas fontes de financiamemento ainda disponíveis. Mas ela não descartou a possibilidade de isso vir a acontecer. No primeiro trimestre, o FMI prorrogou por um ano o prazo de vencimento de US$ 800 milhões de um crédito concedido ao país. "Mesmo que a Argentina fosse incapaz ou não quisesse fazer pagamentos nos próximos dois anos, estou rezoavelmente confiante que o país voltaria a estar em dia com seus compromissos com o FMI", disse Krueger, lembrando que o Fundo dispõe de um mecanismo para se proteger contra tal eventualidade.Não há registro de calote no Fundo por um país de porte médio. A direção do FMI reavaliará as chances de explorar um acordo com a Argentina em conversas que terá com o ministro da economia, Roberto Lavagna, durante a reunião anual da instituição, no final da próxima semana, em Washington.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.