Argentina ameaça rescindir concessões de empresas de gás

Na terça deverão ficar sem gás pelo menos entre 160 e 300 grandes empresas

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h46

A Argentina iniciou nesta segunda-feira, 18, mais uma semana de racionamento de gás para as grandes empresas e comércios. No meio de uma onda de frio proveniente da Antártida, o consumo residencial de gás e eletricidade disparou, fato que levou o governo do presidente Néstor Kirchner a manter pelo quarto dia consecutivo a suspensão do fornecimento de gás para as grandes empresas do país, a maioria instalada na Grande Buenos Aires, o cinto industrial ao redor da capital argentina.No entanto, o racionamento de energia não teve um efeito marcante nesta segunda, já que as atividades empresariais estavam praticamente paralisadas pelo feriado do Dia da Bandeira. Mas a expectativa do resto desta semana era de problemas na produção industrial.A perspectiva é que na terça continuarão sem gás pelo menos entre 160 e 300 grandes empresas. Na última sexta-feira, antes do início do feriado, a Secretaria de Energia ordenou o corte de 1.200 Megawatts do consumo das indústrias, o maior já registrado desde que a crise energética começou a pairar sobre a Argentina, em 2004.O governo argumenta que a redução às indústrias ampara-se na resolução "Energia Plus", aplicada desde o ano passado, que determina que, em caso de escassez energética, os consumidores residenciais deverão ser privilegiados. O problema é que o consumo residencial de gás aumentou em 30% em maio, quando o frio começou. O consumo de eletricidade subiu 20%.Lei do AbastecimentoA resolução também indica que as empresas somente teriam direito a níveis de energia equivalentes aos consumidos por elas próprias em 2005. Qualquer energia adicional para consumo extra terá que ser obtido pelas próprias empresas.Enquanto isso, segundo informações extra-oficiais, o governo ameaça aplicar a temida Lei do Abastecimento nas duas grandes empresas de distribuição de gás, a Transportadora Gás del Norte (TGN) e a Transportadora Gás del Sur (TGS).A lei prevê pesadas multas para as empresas que não cumpram seus contratos de abastecimento; além disso, estipula a eventual intervenção da empresa e a prisão dos empresários. Neste caso, Kirchner determinaria uma rescisão dos contratos de ambas transportadoras.A crise também está afetando o setor agropecuário, que reclama da escassez de diesel e gás. O vice-presidente da Sociedade Rural, Hugo Biocatti, acusou o governo de "falta de planejamento" para preparar-se para a crise energética. Segundo o líder ruralista, "a agricultura argentina está a ponto de ter uma colheita recorde. Mas, cada vez menos temos meios para consegui-la, já que não há combustíveis, nem trens, nem caminhões".CriseEntre 1998 e 2002 o consumo de energia na Argentina despencou pela recessão econômica que assolou o país durante meia década e a crise financeira e social de 2001-2002. Mas, desde 2003 a economia argentina cresce de forma persistente, registrando um aumento médio anual de 9% do PIB. De forma simultânea, o consumo de energia entrou em disparada.No entanto, os setores de geração e distribuição de energia não realizaram obras de infra-estrutura para aumentar sua capacidade, nem exploração de novas reservas, já que - segundo as empresas - não convém investir em um país com a Argentina onde está em vigência o congelamento de tarifas dos serviços públicos privatizados para consumidores residenciais.A perspectiva para os próximos dias é sombria, já que a meteorologia prevês baixas temperaturas até a sexta-feira.

Mais conteúdo sobre:
gasargentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.