NICHOLAS KAMM/AFP
NICHOLAS KAMM/AFP

Argentina terá mais US$ 7 bilhões do FMI

No total, país sul-americano vai receber US$ 57 bi; neste ano, serão US$ 13,4 bilhões

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 18h40
Atualizado 26 Setembro 2018 | 21h31

O ministro de Economia da Argentina, Nicolás Dujovne, e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, anunciaram nesta quarta-feira, 26, que o montante a ser recebido pelo país vizinho aumentou US$ 7 bilhões, totalizando US$ 57 bilhões. Além disso, Dujovne afirmou que o câmbio continuará a ser flexível, mas ressaltou que as autoridades argentinas não permitirão volatilidade excessiva, sugerindo intervenções pelo banco central quando houver grandes variações do dólar em relação ao peso.

“Neste novo acordo, o governo resolveu continuar com a implementação de um conjunto de políticas orientadas ao fortalecimento da economia argentina. A convergência mais rápida ao equilíbrio fiscal primário é um passo decisivo para a redução das necessidades de financiamento do governo, o que impulsionará a economia argentina”, afirmou Dujovne.

De acordo com ele, o montante que o FMI emprestará à Argentina este ano será de US$ 13,4 bilhões, ante US$ 6 bilhões previstos anteriormente. Já o valor previsto para 2019 é de US$ 22,8 bilhões.

Dujovne ainda comentou que a Argentina tem enfrentado uma jornada de volatilidade nos mercados financeiros nas últimas semanas. No entanto, ele garantiu que tem mantido o compromisso de assegurar câmbio flexível. “A estabilidade do peso não depende da política de intervenção, mas sim de uma política fiscal forte”, afirmou o ministro. Nesse sentido, ele comentou que o câmbio continuará flexível, embora grande volatilidade possa exigir intervenções.

Compromisso

Lagarde, presente na coletiva de imprensa, afirmou que o FMI está “completamente comprometido” em ajudar a Argentina e disse que o plano revisado será “fundamental para restabelecer a confiança no país”. Segundo ela, o dinheiro para a Argentina poderá ser usado para manter a seguridade social, mas apontou que o FMI está decidido a adotar um regime de taxa flutuante em acordo com a Argentina.

“O FMI nos respalda a darmos apoio para setores vulneráveis da economia”, disse Dujovne. Segundo ele, o déficit está “plenamente financiado por investimentos externos” e o país deu um passo “muito importante” na qualidade do gasto público.

Nova política

Enquanto isso, na Argentina, o novo presidente do Banco Central da República Argentina (BCRA), Guido Sandleris, anunciou a política monetária que a instituição adotará com objetivo de reduzir a inflação no país. Em coletiva, o dirigente afirmou que a autoridade monetária vai abandonar o regime de metas de inflação. “Vamos voltar a ele em algum momento, mas hoje precisamos adotar uma via mais potente.”

O novo regime anunciado por Sandleris é conhecido como âncora nominal, definido pelo banco central como uma restrição sobre o valor da moeda local, cujos objetivos são determinar o nível de preços e estabilizar as expectativas de inflação. A principal diferença em relação ao regime de metas, segundo o presidente do BCRA, é que não existe uma taxa definida para a inflação, mas sim o objetivo de reduzi-la.

A nova política monetária da instituição terá dois elementos centrais. “O primeiro é o estrito controle do crescimento da base monetária, enquanto o segundo se refere à limitação da zona de intervenção e não intervenção no câmbio”, afirmou. “A base monetária crescia cerca de 2% ao mês e agora não vai crescer, mas isso é necessário para recuperar a estabilidade.”

Já a zona de não intervenção, segundo o dirigente, se dará com o dólar cotado entre 34 e 44 pesos argentinos. Caso a moeda local se deprecie além do que deseja a instituição, o BCRA fará leilões diários de dólares. / VICTOR REZENDE E FRANCINE DE LORENZO COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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