Argentina aperta cerco contra importações

O governo argentino decidiu aumentar o controle sobre as importações e aumentou o custo para a entrada de mercadorias que tenham preços inferiores aos estipulados pelo Ministério de Economia. Com essa medida, a ministra Felisa Miceli busca limitar os casos de subfaturamento e de dumping, especialmente para mercadorias de baixo preço para os diferentes mercados, caso dos produtos têxteis e eletrodomésticos.O chefe da Aduana, Ricardo Echegaray, afirmou ao jornal Infobae que a "medida aponta particularmente para as importações provenientes do Brasil, mas também do resto do Mercosul". Apesar da declaração publicada pelo jornal, uma fonte da Secretaria da Indústria disse à AE que "existem muitas preocupações com os produtos da China". A fonte evitou confirmar que a medida seria especificamente contra os importados brasileiros. Nesta quarta-feira, haverá uma reunião entre os fabricantes de eletrodomésticos de ambos os países para negociar as bases do comércio bilateral do setor, especialmente o da linha branca.Uma fonte empresarial avaliou que a adoção da medida poderia ser "uma ferramenta para dar maior poder de barganha", já que os argentinos querem impor cotas aos brasileiros. Os produtos mais visados pelo governo argentino são os televisores, aparelhos de ar condicionado, roupas, lençóis, toalhas de mesas, calçados, alimentos, químicos, eletrônicos e artigos para o lar, ou seja: todos os setores que o governo tem interesse em proteger porque os considera de mão-de-obra intensiva. As restrições não atingem as importações de insumos e bens de capital, só os produtos de comercialização direta ao público.A medida obriga os importadores a integrar tributos e garantias sobre 100% dos valores mínimos de referência das mercadorias que entram no país. Até agora, essa porcentagem era de 80%. Com esta decisão, o importador terá que pagar mais caro pelo produto que importa, o que melhoraria a equação de alguns setores industriais locais porque estariam mais protegidos. Isso se dá porque quando uma mercadoria é importada por um nível menor ao que a aduana argentina chama de "valor critério", o importador que realiza a operação deverá depositar como garantia a totalidade da diferença entre o preço oficial e o declarado.A partir dessa medida, o importador terá que depositar a garantia em cash, com aval bancário ou títulos da dívida pública, todas as diferenças encontradas entre o declarado e o "valor critério" fixado pela Aduana. A decisão foi publicada um dia depois da divulgação dos índices oficiais de que o superávit comercial do país caiu 10% em setembro, comparado com igual mês do ano passado.Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), as exportações chegaram a US$ 4,065 bilhões, 17% acima do valor registrado um ano antes. Já as importações cresceram 28%, indo a US$ 3,170 bilhão. Exceto pelo resultado de abril, quando o crescimento das exportações superou o das importações, a quantidade de produtos importados vêm crescendo em patamar acima do aumento dos produtos exportados.

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