Argentina aplicará plano B se FMI não aprovar revisão, diz fonte

No governo argentino, aumenta a versão sobre a existência de um ?plano B? que seria aplicado se o Fundo Monetário Internacional (FMI) não emitir hoje um sinal positivo para a aprovação da segunda revisão de metas, o que levaria o governo a não pagar amanhã a dívida de US$ 3,1 bilhões. ?Não é vontade do governo promover este plano B, mas estamos preparados para levá-lo adiante em caso de necessidade?, disse uma fonte da Casa Rosada, dando a entender que o governo não vai recuar nessa queda de braço. A mesma fonte disse que ?se a Argentina não pagar, será por um descumprimento do FMI, que fez exigências que não constam na carta de intenções assinada em setembro?. O chamado "plano B" estaria baseado no aumento da arrecadação fiscal; na promoção do investimento público e privado para quem esteja disposto a investir no país devido ao alto crescimento da economia; no cumprimento do pagamento da dívida performing, a que não está em default, como aquela sob forma dos Boden, emitidos após o default; agilização do cancelamento da dívida mediante novos bônus; fortalecimento das reservas do Banco Central; consolidar o superávit fiscal primário, que em janeiro foi de 1,5 bilhões de pesos, uns 500 milhões a mais do que o comprometido com o FMI para todo o trimestre. O plano desenhado pelo ministro de Economia, Roberto Lavagna, o chefe de Gabinete, Alberto Fernández, e a assessoria do presidente do Banco Central, Alfonso Prat Gay, só será implementado se a diretora do FMI, Anne Krueger, não recomendar hoje a aprovação da segunda revisão ou não responder favoravelmente à carta enviada pelo ministro Roberto Lavagna. O ministro deixou claro que não aceitará que o Comitê Global de Credores (CGA) seja o único grupo representativo de detentores de bônus. ?Não será excluído, mas não será privilegiado.? O ministro Roberto Lavagna também informou ao FMI não aceitar o piso de 80% de adesão à proposta de renegociação da dívida. O governo considera que esse piso deve ser de entre 50% e 66%. Só duas exigências são razoáveis, diz FIEL Para o economista-chefe da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (FIEL), Daniel Artana, duas das novas condições exigidas pelo FMI à Argentina são razoáveis, como a de que o presidente Néstor Kirchner assine o decreto que nomeia os bancos que organizarão a reestruturação da dívida; e a que a Argentina precisa conseguir uma adesão de 80% dos credores para afastar o fantasma do default. Nesse sentido, Artana explica que, ?na nomeação dos bancos, o governo quer incluir uma cláusula que estipule que os bancos não poderão desistir da operação, para que o sinal de aceitação seja interpretado como mais contundente?. Daniel Artana já não considera razoável as demais exigências do FMI, como a que pede um tratamento preferencial para o Comitê Global de Credores, representada pelo italiano Nicola Stock. ?O governo tem que sentar para negociar e fazer reuniões com todos os credores, sem dar tratamento privilegiado a nenhum?, afirmou o enconomista, que costuma ter uma opinião bastante crítica sobre o governo. Nesse aspecto, porém, Daniel Artana mostra-se de acordo com o endurecimento do ministro Roberto Lavagna, bem como em relação à exigência de que a troca deve ser aceita por mais de 80% dos credores. Daniel Artana também acredita na existência de um plano B do governo, para o caso de o FMI não aprovar a revisão do acordo e o país entrar em novo default. ?Se se rompe com a comunidade internacional é porque se deve ter um plano B, mas assim como está exposto pela a imprensa, a aritmética não fecha, porque se quer usar o mesmo dinheiro para várias coisas", afirma. "Não está muito claro.?

Agencia Estado,

08 Março 2004 | 13h32

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