Argentina atenua impacto das influências do Brasil

A Argentina está mais próxima de conseguir o que tanto vem reclamando: mecanismos para "suavizar" o impacto das alterações macroeconômicas do Brasil. Na verdade, tratam-se de medidas que beneficiarão também ao Brasil no caso de uma desvalorização maior do peso argentino, por exemplo. Será anunciado hoje, em Buenos Aires, o teor do memorando de entendimento assinado pelos chanceleres argentino e brasileiro, Rafael Bielsa e Celso Amorim, respectivamente, na última sexta-feira, em Assunção. O acordo será anunciado pelo secretário de Relações Exteriores, Jorge Taiana, o subsecretário de Assuntos Latino-americanos, Eduardo Sguiglia, e o embaixador do Brasil na Argentina, José Botafogo Gonçalves. Com um conteúdo basicamente comercial, o acordo inclui uma cláusula anticíclica, pela qual os dois maiores sócios do Mercosul se comprometem a "desenhar, o mais rápido, fórmulas permanentes" que atenuem os impactos das oscilações macroeconômicas de ambos países. O que diz respeito ao câmbio é considerado fundamental: se o real sofrer uma maxidesvalorização e as vendas brasileiras ao mercado argentino aumentarem, será acionado o sistema de quotas. A margem de desvalorização ainda está sendo discutida pelas equipes técnicas dos dois sócios e a medida valerá para ambos países. FlexibilizaçãoAlém da desvalorização da moeda, estão incluídas nestas chamadas oscilações ou alterações macroeconômicas, outros temas polêmicos da relação comercial Argentina-Brasil, como: alíquotas, insenções de impostos e aumento assimétrico das exportações ao mercado do sócio. Neste último entra o ponto que os argentinos vêm reclamando há meses: a "invasão" de produtos brasileiros no mercado argentino. De acordo com o secretário de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria argentina, Martín Redrado, "temos de gerar um mecanismo de ajuste dos vai-e-vem econômicos" dos sócios porque "quando um país cresce e outro não, isso muda de maneira distorsiva seu ciclo econômico", numa clara referência à recessão brasileira e as projeções de crescimento de entre 4% a 5% do PIB argentino neste ano. Como havia antecipado a Agência Estado, há duas semanas, o primeiro produto brasileiro que deverá sofrer restrições de quota, quando o acordo entrar em vigor, será o tecido de jeans (denim) e os fios sintéticos, como ilustrou Martín Redrado. Segundo ele, é "precupante" a quantidade destes produtos que entram no mercado argentino e "se o ciclo econômico se move de maneira inversa, se dispara um mecanismo de quotas que vai estabelecer que não se pode vender aqui mais de certa quantidade de toneladas". De acordo com o negociador argentino, as quotas não podem exceder a média das exportações dos últimos três anos.

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