finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Argentina atrai fabricantes de celulares

Com isenção tributária no país vizinho, empresas preferem produzir localmente a importar do Brasil  

Raquel Landim, de O Estado de S. Paulo,

20 de fevereiro de 2011 | 22h00

Nem mesmo as multinacionais que fabricam celulares estão resistindo às pressões protecionistas do governo Kirchner. Nokia, Samsung e Motorola reduziram as exportações do Brasil e estão fabricando seus produtos na Terra do Fogo, uma zona franca situada no extremo sul da Argentina.

O movimento mais recente foi feito pela finlandesa Nokia. Segundo Luiz Carneiro, diretor de Assuntos Corporativos no Brasil, a Nokia começou a produzir na Argentina no fim do ano passado por meio de parceria com uma empresa terceirizada.

A opção inicial das multinacionais era utilizar o Brasil como plataforma de exportação, mas mudanças tributárias na Argentina comprometeram a estratégia. O governo local elevou de 10% para 21% o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dos celulares, com exceção dos feitos na Terra do Fogo, que são isentos.

Na prática, como só havia fabricantes locais na Terra do Fogo, a medida funcionou como barreira contra importados. Vale ressaltar que o esquema é parecido com a Zona Franca de Manaus. Na semana passada, o governo argentino adotou licenças não-automáticas de importação para celulares importados.

"Com as novas barreiras, vamos intensificar a produção na Terra do Fogo, que passa a atender 100% da demanda do mercado argentino", disse Diego Rosenthal, diretor da Motorola Mobility para a América Latina.

A Samsung iniciou a fabricação televisores e ar-condicionado na Terra do Fogo em 2007. Em 2010, fechou acordo com a fabricante Brightstar para montar telefones celulares. A empresa não quis dar entrevista.

Exportações

As medidas protecionistas na Argentina atingiram em cheio as exportações brasileiras. Nos últimos dois anos, as vendas ao vizinho caíram 54%. Ainda assim, o mercado argentino continua representando metade das exportações do Brasil.

As empresas têm conseguido direcionar parte da exportação para o mercado brasileiro, mas as fracas exportações ajudam a reduzir a produção de celulares no País. "Estão tirando empregos do Brasil e levando para a Argentina. O Brasil deveria repensar o Mercosul", disse Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.