Markku Ulander/Reuters-10/9/2010
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Argentina atrai indústria de celulares

Graças à isenção tributária do governo argentino, Nokia, Motorola e Samsung têm preferido produzir localmente a importar do Brasil

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

Nem mesmo as multinacionais que fabricam celulares estão resistindo às pressões protecionistas do governo Kirchner. Nokia, Samsung e Motorola reduziram as exportações do Brasil e estão fabricando seus produtos na Terra do Fogo, zona franca situada no extremo sul da Argentina.

O movimento mais recente foi feito pela finlandesa Nokia. Segundo Luiz Carneiro, diretor de Assuntos Corporativos no Brasil, a Nokia começou a produzir na Argentina no fim do ano passado por meio de parceria com uma empresa terceirizada.

A opção inicial das multinacionais era utilizar o Brasil como plataforma de exportação, mas mudanças tributárias na Argentina comprometeram a estratégia. O governo local elevou de 10% para 21% o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dos celulares, com exceção dos feitos na Terra do Fogo, que são isentos.

Na prática, como só havia fabricantes locais na Terra do Fogo, a medida funcionou como barreira contra importados. Vale ressaltar que o esquema é parecido com a Zona Franca de Manaus. Na semana passada, o governo argentino adotou licenças não-automáticas de importação para celulares importados.

"Com as novas barreiras, vamos intensificar a produção na Terra do Fogo, que passa a atender 100% da demanda do mercado argentino", disse Diego Rosenthal, diretor da Motorola Mobility para a América Latina.

A Samsung iniciou a fabricação televisores e ar-condicionado na Terra do Fogo em 2007. Em 2010, fechou acordo com a fabricante Brightstar para montar telefones celulares. A empresa não quis dar entrevista.

Exportações. As medidas protecionistas na Argentina atingiram em cheio as exportações brasileiras. Nos últimos dois anos, as vendas ao vizinho caíram 54%. Ainda assim, o mercado argentino continua representando metade das exportações do Brasil.

As empresas têm conseguido direcionar parte da exportação para o mercado brasileiro, mas as fracas exportações ajudam a reduzir a produção de celulares no País. "Estão tirando empregos do Brasil e levando para a Argentina. O Brasil deveria repensar o Mercosul", disse Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

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